O algodão exportado pelo Brasil rendeu mais em setembro de 2026 do que no mesmo mês do ano passado, num momento em que Mato Grosso do Sul consolida a pluma como uma das apostas de diversificação do produtor sul-mato-grossense, tradicionalmente voltado à soja e ao milho. O país embarcou 191.547,8 toneladas do produto no mês, volume 7,1% maior que as 178.808,7 toneladas de setembro de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O que chama atenção na safra deste ano não é só o volume maior, mas o preço. A tonelada exportada, que valia US$ 1.625,1 em setembro do ano passado, passou a custar US$ 1.735,5, uma alta de 6,8%. Em reais, considerando o dólar cotado nesta terça-feira (6) a R$ 4,98, cada tonelada do algodão brasileiro embarcado em setembro valeu em torno de R$ 8.644 no mercado externo, patamar que tende a estimular produtores a ampliar área plantada nas próximas safras.
A combinação de mais volume com preço maior elevou o faturamento das exportações de algodão a US$ 332,441 milhões em setembro, ante US$ 290,584 milhões no mesmo mês de 2025, avanço de 14,4%, conforme o levantamento da Secex. Na média diária, o Brasil embarcou 9.121,3 toneladas por dia, contra 8.127,7 toneladas um ano antes, enquanto a receita diária subiu de US$ 13,208 milhões para US$ 15,831 milhões, salto de 20%.
O cenário positivo ocorre num momento em que o algodão ganha espaço no calendário agrícola de regiões do Centro-Oeste que normalmente fecham o ano só com soja e milho. Preço mais firme no mercado internacional funciona como incentivo direto para quem avalia investir em pluma na safra 2026/2027, especialmente em áreas de Chapadão do Sul e da região Norte do Estado, onde a cultura já disputa espaço com os grãos tradicionais.
Mato Grosso do Sul não figura entre os maiores produtores nacionais de algodão, concentrados em Mato Grosso e na Bahia, mas o Estado tem ampliado gradualmente a cultura como alternativa de rotação em áreas de cerrado, sobretudo em municípios como Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste. Para esses produtores, a valorização da tonelada no mercado externo melhora a equação de custo da lavoura, que concorre por insumos, maquinário e frete com a soja e o milho na mesma região.
O movimento também interessa à cadeia de algodão que já opera no Estado, da assistência técnica ao transporte da pluma até os portos, beneficiada por preços mais altos em dólar justamente quando o câmbio favorece o exportador brasileiro. Especialistas do setor apontam que a tendência de valorização, se mantida nos próximos meses, pode consolidar o algodão como terceira opção de peso no planejamento de safra do produtor sul-mato-grossense, ao lado da soja e do milho.
Os números de setembro fazem parte da série histórica acompanhada mês a mês pela Secex, que também havia registrado em agosto crescimento nas exportações do agro brasileiro, puxadas por diferentes commodities, incluindo a receita diária do algodão já em patamar elevado.
Fontes: SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX); MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO