O mercado internacional de celulose começa o quarto trimestre de 2026 com perspectiva de recuperação dos preços. A avaliação da XP Investimentos, divulgada pelo Money Times, aponta que uma combinação de oferta mais restrita no mercado à vista, estoques reduzidos e custos elevados entre produtores chineses cria condições favoráveis para uma valorização da commodity no curto prazo. O movimento interessa diretamente a Mato Grosso do Sul, onde a cadeia florestal e de celulose ganhou forte peso na economia e concentra operações de grandes empresas do setor.
Um dos principais sinais vem da China, mercado decisivo para o comércio mundial de celulose. De acordo com dados da SCI99 citados pela XP, os preços no mercado spot da celulose de fibra curta importada apresentaram leve avanço, movimento atribuído à disponibilidade limitada do produto e à expectativa de aumento dos preços de importação. Para a XP, esse ambiente ajuda a sustentar uma visão mais positiva para a commodity no curto prazo, embora a recuperação chinesa ainda aconteça gradualmente.
A possível valorização tende a beneficiar grandes produtoras brasileiras, especialmente empresas com forte presença no mercado internacional. Nesse contexto, a XP manteve recomendação de compra para as ações da Suzano (SUZB3) e da Klabin (KLBN11). A corretora também considera que os múltiplos das companhias permanecem atrativos e vê espaço para redução de investimentos após grandes ciclos de expansão, além da continuidade do processo de redução do endividamento das empresas.
Apesar das perspectivas positivas para os próximos meses, o cenário exige cautela quando o horizonte se estende para 2027 e os anos seguintes. A XP chama atenção para uma previsão de aproximadamente 10 milhões de toneladas de nova capacidade integrada na China entre 2026 e 2028, além da expectativa de expansão da oferta global de celulose a partir de 2027. A rentabilidade ainda pressionada dos fabricantes de papel também aparece entre os fatores que podem limitar uma trajetória mais longa de valorização.
Para Mato Grosso do Sul, a evolução dos preços internacionais merece atenção pelo protagonismo alcançado pela indústria de base florestal na economia estadual. Uma recuperação consistente da cotação da celulose pode melhorar o ambiente para as produtoras e reforçar a importância econômica de uma cadeia que envolve florestas plantadas, indústria, transporte e exportação.