Pecuária brasileira entra em novo ciclo de produtividade com mais carne em menos área

JBS projeta avanço da eficiência dentro das fazendas, enquanto redução das pastagens e aumento da produção mostram transformação estrutural do setor

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A pecuária brasileira se prepara para uma nova etapa de ganhos de produtividade, marcada pela intensificação da produção dentro das propriedades rurais e pelo uso mais eficiente das áreas disponíveis. A avaliação é da JBS, por meio da Friboi, que aponta que o próximo grande avanço do setor deverá ocorrer principalmente dentro das fazendas. O movimento acontece após décadas de mudanças na atividade, período em que o Brasil conseguiu ampliar significativamente a produção de carne ao mesmo tempo em que reduziu a extensão das pastagens. 

Dados apresentados pela ABIEC reforçam essa transformação. Entre 1990 e 2025, a produção brasileira de carne bovina cresceu 146,6%, enquanto o rebanho aumentou 40%. No período mais recente de 30 anos analisado pela entidade, a produtividade avançou 183%, enquanto a área de pastagens caiu aproximadamente 18%, chegando a cerca de 160 milhões de hectares. Aproximadamente 27,9 milhões de hectares antes ocupados por pastagens foram destinados à agricultura e outras atividades. 

A tendência agora é produzir animais mais jovens e com maior peso, reduzindo o tempo necessário para chegar ao abate. Eduardo Pedroso, diretor executivo de Originação e Confinamentos da Friboi, citou propriedades brasileiras que já trabalham com bovinos de 25 a 26 arrobas aos 18 ou 20 meses. Entre os parâmetros de eficiência acompanhados pela indústria estão ainda rendimento de carcaça de 60% e indicadores relacionados à quantidade de alimento necessária para produzir cada arroba. Para a empresa, genética, nutrição, manejo e gestão deverão ganhar peso ainda maior nessa transformação. 

O mercado externo é outro componente dessa mudança. Em 2025, o Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça e exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, alcançando receita recorde de aproximadamente US$ 18 bilhões, segundo a ABIEC. A China permaneceu como principal destino do produto brasileiro. Para a JBS, a expansão das compras chinesas ajudou a acelerar exigências relacionadas à produtividade, sustentabilidade, rastreabilidade e idade de abate, enquanto outros compradores internacionais também estabelecem requisitos próprios. 

A busca por eficiência ganha importância adicional diante da mudança do ciclo pecuário. Análise da Embrapa aponta que a atividade atravessa em 2026 uma transição que exige maior controle de custos, gestão e produtividade. Depois da elevada oferta de animais para abate observada em 2025, a retenção de fêmeas para recomposição do rebanho pode reduzir a disponibilidade de gado e alterar as margens ao longo da cadeia. Nesse ambiente, produzir mais por hectare e melhorar os índices zootécnicos deixa de representar apenas uma vantagem competitiva e passa a ser uma condição cada vez mais relevante para a rentabilidade das propriedades.


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