Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 17.946.309 cabeças de gado, um recuo de 798.511 animais em relação a 2024. Os números preliminares da Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram queda de 4,3% no rebanho estadual, ritmo bem mais acentuado que a retração de 1,7% registrada no país inteiro.
O tombo sul-mato-grossense chama atenção porque o Estado é um dos grandes polos pecuários do Centro-Oeste, região que ainda assim manteve a liderança nacional: são 72,2 milhões de bovinos concentrados ali, o equivalente a 30,8% de todo o gado do Brasil. Mesmo com o posto de maior região produtora, o Centro-Oeste amarga a terceira queda seguida no tamanho do rebanho, sinal de que o movimento de redução não é um caso isolado de MS, mas também não poupou o Estado da perda.
Corumbá manteve o posto de maior rebanho bovino de Mato Grosso do Sul, com 2.154.749 animais, cerca de 12% de tudo que existe no Estado. O município pantaneiro também aparece como o segundo maior do país em número de cabeças, atrás apenas de São Félix do Xingu, no Pará.
Na sequência da lista estadual vêm Aquidauana, com 845.026 bovinos, e Ribas do Rio Pardo, com 782.275. Somados, Corumbá, Aquidauana e Ribas do Rio Pardo reúnem 3,78 milhões de cabeças, ou 21,1% de todo o rebanho sul-mato-grossense. Completam o pelotão de frente Porto Murtinho (694.235) e Rio Verde de Mato Grosso (567.121), enquanto a capital, Campo Grande, soma 406.759 animais, bem menos que os municípios do interior mais ligados à pecuária extensiva.
Para dar dimensão ao estrago, os quase 800 mil bovinos que deixaram de existir no rebanho estadual entre 2024 e 2025 superam sozinhos todo o efetivo de Ribas do Rio Pardo, terceiro maior produtor do Estado. É como se um município inteiro de gado tivesse sumido do mapa em um único ano.
O IBGE atribui a queda nacional ao aumento no abate de fêmeas nos últimos quatro anos, movimento que reduz a capacidade de reposição do plantel e tende a produzir efeitos em cascata nos anos seguintes. A explicação, porém, é genérica e vale para o cenário do país como um todo: o instituto não detalha, nesta divulgação, quais fatores específicos levaram ao recuo mais acentuado em Mato Grosso do Sul.
A pesquisa contabiliza o rebanho existente em 31 de dezembro de cada ano, então a diferença entre 2024 e 2025 mostra a variação líquida do efetivo, não o total de animais abatidos no período. O próprio IBGE classifica os dados de 2025 como preliminares e sujeitos a revisão na próxima divulgação. A base de referência deste levantamento é a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE.
Fontes: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE)