Plantio de feijão no Sul atrasa e MS pode virar alternativa de oferta

Semeadura da 1ª safra chega a 13,1% no país, abaixo da média histórica; clima no RS e SC atrasa lavouras e acende atenção para a produção sul-mato-grossense

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Clinton Weaver/Pexels
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O plantio da primeira safra de feijão 2026/27 avançou para 13,1% da área estimada no Brasil até 2 de outubro de 2026, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número representa alta em relação aos 9,2% da semana anterior, mas ainda fica longe do ritmo registrado há um ano e da média histórica recente, um atraso que acende o sinal de alerta para o abastecimento nacional do grão e abre espaço de atenção para praças produtoras fora do eixo tradicional, caso de Mato Grosso do Sul.

A safra de inverno costuma dar o tom dos preços do feijão no primeiro semestre do ano seguinte, por isso o calendário de plantio é observado de perto por quem compra e por quem vende. Quando o Sul do país, tradicional celeiro da cultura, atrasa a semeadura, o mercado physical passa a olhar com mais atenção para estados que também cultivam o grão, ainda que em escala menor, como é o caso de Mato Grosso do Sul.

Clima divide cenário entre Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina

No Paraná, as chuvas recentes favoreceram tanto a semeadura quanto o estabelecimento inicial das lavouras já implantadas, de acordo com a Conab. O cenário é mais favorável e ajuda a puxar a média nacional para cima na comparação semanal.

No Rio Grande do Sul, a combinação de chuva com temperaturas baixas trava o avanço do plantio e já provocou danos pontuais em áreas onde o feijão havia sido semeado mais cedo. Em Santa Catarina, a operação começou, mas segue lenta, concentrada principalmente na região Oeste do estado, segundo o órgão.

Atraso no Sul reforça papel do feijão produzido em MS

Mato Grosso do Sul cultiva feijão em municípios como Chapadão do Sul, São Gabriel do Oeste e Costa Rica, na região Norte do estado, geralmente como opção de segunda safra em sistema de rotação com milho e soja. Quando o ritmo de plantio no Sul do país atrasa, como mostra o levantamento da Conab para a safra 2026/27, o produtor sul-mato-grossense tende a negociar em condições mais favoráveis, já que a entrada de feijão no mercado físico fica mais escassa no período.

O comportamento é parecido com o que já se observa em outras culturas de MS neste início de safra: o estado ainda negocia parte da soja da safra anterior enquanto acompanha o avanço mais lento das lavouras no Sul do país, um cenário que tende a manter firme a atenção do mercado sobre a produção de grãos fora do eixo tradicional nos próximos meses.

Fontes: COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB)


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