A semana da soja terminou nesta sexta-feira (25 de setembro de 2026) sem grandes sobressaltos para quem vende o grão no Brasil: os preços internos recuaram em algumas praças, os portos de Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) mantiveram as referências travadas e, em Chicago, os contratos futuros fecharam em leve alta, sustentados por um dólar mais forte e por chuvas que atrasam a colheita americana. Para o produtor de Mato Grosso do Sul, que vende parte da safra com base nesses mesmos parâmetros internacionais, o dia foi de espera — e de olho na mesa de negociação entre Estados Unidos e China.
O mercado físico brasileiro vive dias de pouca liquidez, com compradores e vendedores evitando movimentos bruscos enquanto aguardam sinais mais claros do exterior. Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, o cenário foi de "poucas ofertas e de um mercado bastante travado", padrão que se repetiu ao longo de toda a semana e que ajuda a explicar por que os preços não saíram do lugar nos portos.
Em Paranaguá, a saca de soja fechou a semana cotada a R$ 162,00, mesmo valor da véspera. Em Rio Grande, a referência também não se mexeu, permanecendo em R$ 164,00. A estabilidade nos dois principais escoadouros da soja brasileira reflete a falta de negócios fechados em volume relevante — um alívio pontual para quem compra, mas um sinal de cautela para o produtor que ainda tem estoque para vender.
Esse compasso de espera nos portos tende a se refletir diretamente nas praças do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso do Sul, onde os basis locais também mostraram algum alívio nesta semana, segundo o levantamento da Safras & Mercado. Sem movimento firme na ponta exportadora, o mercado interno perde um dos principais gatilhos para reajustar preços para cima.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em novembro fecharam em alta de 2,25 centavos de dólar (0,17%), a US$ 13,19 3/4 por bushel, enquanto a posição de janeiro avançou 1,00 centavo (0,07%), para US$ 13,32 3/4. O movimento ocorre um dia depois da cúpula entre Estados Unidos e China, realizada na quinta-feira (24 de setembro), da qual o governo americano informou ter fechado acordos comerciais para determinados produtos — mas sem detalhar quais, promessa que só deve ser cumprida na próxima segunda-feira.
Até agora, o encontro entre as duas maiores economias do mundo não trouxe nenhum compromisso novo da China para compra de grãos americanos, o que mantém o mercado em compasso de espera. É o mesmo tipo de sinalização que, semanas atrás, já havia animado as cotações no Centro-Oeste após um lote de 700 mil toneladas negociado pelos chineses, e que segue como principal vetor de otimismo — ou frustração — para quem acompanha o mercado em Mato Grosso do Sul.
No câmbio, o dólar comercial fechou a sexta-feira em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,1847 na venda, mas acumulou alta de 0,72% na semana. Moeda americana mais valorizada tende a favorecer quem exporta soja em reais, um efeito que já vinha pressionando as referências acompanhadas de perto pelo mercado sul-mato-grossense nas últimas semanas. Do lado dos subprodutos, o farelo de soja recuou 0,48% e o óleo subiu 0,42% na sessão em Chicago.
Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL