Soja fecha semana estável em MS enquanto EUA e China negociam

Saca em Paranaguá segue em R$ 162 e mercado interno tem poucas ofertas; produtor de MS aguarda detalhes de acordo comercial dos EUA com a China

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Soja fecha semana estável em MS enquanto EUA e China negociam
SentinelHub/Wikimedia Commons (CC BY)

A semana da soja terminou nesta sexta-feira (25 de setembro de 2026) sem grandes sobressaltos para quem vende o grão no Brasil: os preços internos recuaram em algumas praças, os portos de Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) mantiveram as referências travadas e, em Chicago, os contratos futuros fecharam em leve alta, sustentados por um dólar mais forte e por chuvas que atrasam a colheita americana. Para o produtor de Mato Grosso do Sul, que vende parte da safra com base nesses mesmos parâmetros internacionais, o dia foi de espera — e de olho na mesa de negociação entre Estados Unidos e China.

O mercado físico brasileiro vive dias de pouca liquidez, com compradores e vendedores evitando movimentos bruscos enquanto aguardam sinais mais claros do exterior. Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, o cenário foi de "poucas ofertas e de um mercado bastante travado", padrão que se repetiu ao longo de toda a semana e que ajuda a explicar por que os preços não saíram do lugar nos portos.

Portos parados, saca de R$ 162 sem sinal de reação

Em Paranaguá, a saca de soja fechou a semana cotada a R$ 162,00, mesmo valor da véspera. Em Rio Grande, a referência também não se mexeu, permanecendo em R$ 164,00. A estabilidade nos dois principais escoadouros da soja brasileira reflete a falta de negócios fechados em volume relevante — um alívio pontual para quem compra, mas um sinal de cautela para o produtor que ainda tem estoque para vender.

Esse compasso de espera nos portos tende a se refletir diretamente nas praças do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso do Sul, onde os basis locais também mostraram algum alívio nesta semana, segundo o levantamento da Safras & Mercado. Sem movimento firme na ponta exportadora, o mercado interno perde um dos principais gatilhos para reajustar preços para cima.

Chicago sobe com dólar forte e olho na cúpula EUA-China

Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em novembro fecharam em alta de 2,25 centavos de dólar (0,17%), a US$ 13,19 3/4 por bushel, enquanto a posição de janeiro avançou 1,00 centavo (0,07%), para US$ 13,32 3/4. O movimento ocorre um dia depois da cúpula entre Estados Unidos e China, realizada na quinta-feira (24 de setembro), da qual o governo americano informou ter fechado acordos comerciais para determinados produtos — mas sem detalhar quais, promessa que só deve ser cumprida na próxima segunda-feira.

Até agora, o encontro entre as duas maiores economias do mundo não trouxe nenhum compromisso novo da China para compra de grãos americanos, o que mantém o mercado em compasso de espera. É o mesmo tipo de sinalização que, semanas atrás, já havia animado as cotações no Centro-Oeste após um lote de 700 mil toneladas negociado pelos chineses, e que segue como principal vetor de otimismo — ou frustração — para quem acompanha o mercado em Mato Grosso do Sul.

No câmbio, o dólar comercial fechou a sexta-feira em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,1847 na venda, mas acumulou alta de 0,72% na semana. Moeda americana mais valorizada tende a favorecer quem exporta soja em reais, um efeito que já vinha pressionando as referências acompanhadas de perto pelo mercado sul-mato-grossense nas últimas semanas. Do lado dos subprodutos, o farelo de soja recuou 0,48% e o óleo subiu 0,42% na sessão em Chicago.

Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL


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