Mato Grosso do Sul consolida sua posição como um dos territórios estratégicos da pecuária brasileira. A combinação entre um grande mercado consumidor de tecnologias para o campo, tradição na bovinocultura e proximidade com outros importantes estados produtores cria um ambiente favorável para empresas ligadas à nutrição, produtividade e modernização dos rebanhos. A própria Fevara, ao avaliar sua entrada no Brasil, destacou a localização de Mato Grosso do Sul e o potencial do mercado pecuário regional.
Um dos diferenciais está no conhecimento acumulado ao longo de décadas. Campo Grande abriga a Embrapa Gado de Corte, referência em pesquisa para a bovinocultura. A implantação do centro começou em 1975 e suas pesquisas abrangem áreas como nutrição, sanidade, melhoramento, reprodução, manejo, pastagens e sistemas de produção, contribuindo para ganhos de produtividade e eficiência dentro das propriedades rurais.
Esse ambiente também favorece o desenvolvimento de empresas especializadas. Campo Grande conta com negócios voltados à produção de minerais e suplementos para animais, como a Macal, que mantém estrutura industrial na Capital e rede comercial regional. Em 2025, a empresa entrou no radar da britânica Fevara, que anunciou um acordo de aquisição como parte de sua estratégia de entrada no mercado brasileiro. O episódio serve como exemplo do interesse externo pela estrutura construída em torno da pecuária sul-mato-grossense.
O desempenho do setor em 2026 reforça essa importância. No primeiro semestre, Mato Grosso do Sul faturou US$ 1,17 bilhão com as exportações de carne bovina, avanço de 47,9% sobre o mesmo período de 2025. O Estado embarcou 198,1 mil toneladas, volume 23,4% maior, enquanto o preço médio da tonelada exportada avançou 19,7%. A carne bovina chegou a representar 20,6% das receitas das exportações do agronegócio estadual no período.
Os números atuais mostram que a relevância de Mato Grosso do Sul vai além do tamanho do rebanho. Pesquisa, empresas especializadas, conhecimento técnico, produção e inserção no mercado internacional formam uma cadeia capaz de atrair capital e novas tecnologias. A movimentação observada nos últimos anos coloca o Estado em posição estratégica diante das transformações da pecuária, que busca produzir com mais eficiência, tecnologia e competitividade para atender tanto o mercado brasileiro quanto a crescente demanda internacional.