Açúcar tem quedas em NY e reforça peso de MS na moagem nacional

Contrato recuou em Nova Iorque com demanda fraca no radar, enquanto StoneX reduz previsão de déficit global e olha para safra recorde do Centro-Sul

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Açúcar tem quedas em NY e reforça peso de MS na moagem nacional
KrispyKat69/Wikimedia Commons (CC BY)

O açúcar negociado em Nova Iorque fechou em queda nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026), com o contrato de outubro recuando 17 pontos, para 17,59 cents por libra-peso, pressionado por sinais de demanda física mais fraca. Em Londres, o movimento foi oposto: o contrato de dezembro avançou 390 pontos, fechando a US$ 509,90 por tonelada, embalado por uma recuperação técnica depois de semanas de perdas.

O contraste entre as duas praças reflete um mercado dividido entre o excesso de oferta de curto prazo e a incerteza sobre os próximos meses de produção mundial. Enquanto operadores em Nova Iorque avaliam sinais de entrega elevada e possível acúmulo de estoques, o mercado londrino reage a revisões de consultorias que apontam para um cenário global mais equilibrado — e não mais tão folgado quanto se imaginava semanas atrás.

Excesso de oferta pressiona Nova Iorque

Segundo a consultoria McDougall Global Views, o volume atual de contratos em aberto sugere que a entrega do vencimento da próxima semana pode somar cerca de 1,8 milhão de toneladas, número acima da média dos últimos seis anos e interpretado como reflexo de consumo mais fraco. A leitura ganhou força depois que, na semana passada, Londres registrou a entrega de 499.350 toneladas referentes ao contrato de outubro — volume 91% maior do que há um ano e um dos maiores já vistos para esse mês.

A StoneX reforçou o quadro de oferta abundante ao revisar, na quarta-feira (23), sua estimativa de déficit global para a temporada 2026/27: de 1,7 milhão para apenas 900 mil toneladas. Para o ciclo 2025/26, que se encerra neste mês, a consultoria projeta agora um superávit de 1,45 milhão de toneladas, bem abaixo dos 2,9 milhões estimados anteriormente. A revisão leva em conta a expectativa de uma moagem recorde no Centro-Sul do Brasil na safra seguinte, mesmo com riscos climáticos que a consultoria já monitora na Índia, Tailândia, União Europeia, México e América Central.

Clima atrasa moagem no Brasil e reforça peso de MS na safra

O comportamento do mercado também é influenciado pelo ritmo mais lento da colheita no Centro-Sul brasileiro, região que concentra a maior parte da produção nacional de cana e onde Mato Grosso do Sul mantém um dos parques sucroenergéticos mais relevantes do país. As chuvas atrasaram a moagem e derrubaram a produção de açúcar da região em 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

Esse tipo de oscilação tende a repercutir diretamente nas usinas sul-mato-grossenses, que vendem parte da produção com base nas referências de Nova Iorque e Londres — o mesmo mercado que também baliza o desempenho de outras commodities agrícolas do estado, como mostrou recentemente o fechamento do algodão de MS em Nova York. Qualquer sinal de aperto ou folga na oferta global de açúcar pesa no planejamento de moagem e nas decisões de venda das usinas instaladas no estado.

No exterior, a atenção segue voltada para a Índia, onde o acumulado da temporada de monções está 15% abaixo da média até 23 de setembro, e para a Tailândia, cuja associação de usineiros projeta queda de 17% na produção de 2026/27, para 10 milhões de toneladas. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) trabalha com um déficit global mais conservador, de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit de 1,1 milhão de toneladas na temporada atual.

Fontes: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS; STONEX; UNICA; MCDOUGALL GLOBAL VIEWS; ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO AÇÚCAR (ISO)


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