Uma reportagem que teve como principal case a Fazenda Saltinho, em Camapuã, no interior de Mato Grosso do Sul, garantiu ao jornalista Ariosto Mesquita o 2º lugar na categoria "Sustentabilidade" do IFAJ Star Prize 2026, prêmio internacional da Federação Internacional de Jornalistas Agrícolas entregue em 19 de setembro de 2026, em Osijek, na Croácia. Com o resultado, o jornalista mineiro radicado em MS se tornou o primeiro profissional brasileiro a ser premiado em duas edições seguidas do concurso — sempre com trabalhos sobre financiamento por crédito de carbono na bovinocultura de corte.
O reconhecimento chega em um momento de virada de imagem para a pecuária brasileira no exterior, historicamente cobrada por organismos internacionais sob a acusação de operar com passivos ambientais. As duas reportagens premiadas de Mesquita — uma em 2025, no Quênia, outra agora na Croácia — mostram justamente o caminho contrário: produtores rurais recebendo dinheiro real por práticas de baixo carbono, com contratos, valores e prazos verificáveis.
A reportagem "Crédito de carbono chega à pecuária", publicada pela Revista DBO e premiada em 2025 em Nairóbi, revelou os primeiros contratos desse tipo assinados por pecuaristas brasileiros. O caso central da matéria foi o da Fazenda Saltinho, em Camapuã, que fechou acordo para receber um valor projetado em US$ 270 mil — cerca de R$ 1,45 milhão na cotação de 17 de outubro de 2025 —, com depósito previsto para 2029.
Foi esse case sul-mato-grossense que deu ao trabalho a força necessária para vencer entre concorrentes internacionais e lançar as bases da segunda reportagem, já premiada agora na Croácia.
A reportagem vencedora deste ano, "De utopia à realidade: Dinheiro do crédito de carbono já remunera pecuaristas brasileiros", publicada pela Revista Feed & Food e avaliada pelo júri comandado pelo jornalista australiano Kerry Staight, foi além do contrato assinado: mostrou produtores que já tinham o valor na conta bancária. Ao saber que uma startup do Vale do Silício antecipava pagamentos de carbono a produtores brasileiros, Mesquita foi a campo em fevereiro de 2025 apurar quem já havia recebido.
Em Porangatu, no norte de Goiás, encontrou o pecuarista Rodrigo Barros de Azevedo, que viu US$ 62 mil (na época, cerca de R$ 360 mil) cair em sua conta poucas semanas após assinar o contrato. Já em São Valério do Tocantins, nas fazendas conjugadas Rio Verde, Bacabal e Spinelli, o produtor Erivan Spinelli já havia recebido US$ 150 mil (na época, R$ 870 mil) de um total estimado em US$ 451 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) a receber por créditos de carbono. "De utopia à realidade" é justamente o título que resume essa mudança de fase: do papel assinado ao dinheiro depositado.
O IFAJ Star Prize 2026 também consagrou outros três trabalhos brasileiros, todos ligados à Rede Brasil de Jornalistas Agro (Agrojor): o capixaba Julio Cezar Huber venceu a categoria "Cultura Rural" com a reportagem "Caparaó: um território que transforma quem vive e quem visita" e dividiu o título de "Journalist of the Year" com a australiana Pip Courtney, além de levar o 2º lugar em "Digital Media".
Fontes: ACRISSUL; IFAJ; REVISTA FEED & FOOD; REVISTA DBO