Um coproduto da indústria de etanol de milho ganhou uma nova aplicação e passou a integrar a produção de asfalto da Petrobras. Desde junho de 2026, a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), utiliza o óleo técnico de milho, conhecido como TCO, como matéria-prima renovável na fabricação do ligante asfáltico CAP Pro R. Até 22 de setembro, 95 mil toneladas de asfalto com conteúdo renovável haviam sido produzidas na unidade com a utilização do novo insumo.
Mato Grosso do Sul participa desta cadeia por meio da Inpasa, que mantém unidade industrial em Dourados e processa TCO. A Petrobras confirma que atualmente adquire o óleo técnico de milho da empresa. O TCO é um óleo residual semirrefinado obtido no processamento do milho destinado à fabricação de etanol e possui características diferentes do óleo de milho utilizado na alimentação.
Na fabricação do asfalto, o óleo técnico de milho funciona como alternativa a diluentes de origem fóssil. Segundo a reportagem da Globo Rural/O Globo, a matéria-prima renovável ainda representa uma parcela pequena da composição utilizada pela Petrobras, entre 1% e 2% dos insumos, mas abre espaço para o aproveitamento de coprodutos agrícolas em uma atividade tradicionalmente dependente do petróleo. A estatal já produzia cimento asfáltico com conteúdo renovável desde 2025, enquanto a incorporação específica do TCO na Revap começou em junho deste ano.
A disponibilidade do óleo tende a acompanhar a expansão da indústria brasileira de etanol de milho, particularmente forte no Centro-Oeste. Dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), citados pela Globo Rural, mostram que a capacidade industrial de produção de etanol de milho no país cresceu 7.121% em dez anos. Em média, cada tonelada de milho processada gera cerca de 18 quilos de TCO, ampliando a disponibilidade do coproduto para aplicações industriais.
O aproveitamento também vai além das rodovias. De acordo com a Petrobras, o óleo técnico de milho já vinha sendo empregado pela companhia na produção de combustíveis avançados, como SAF, combustível sustentável de aviação, e Diesel R.
Para Mato Grosso do Sul, a utilização do TCO reforça a diversificação proporcionada pela industrialização do milho: além do etanol e de outros coprodutos, o processamento realizado no Estado passa a integrar uma cadeia de matérias-primas renováveis que alcança setores como energia e infraestrutura.