As políticas federais para combustíveis e os rumos da safra 2026/27 de cana-de-açúcar entram em debate na próxima terça-feira, 29 de setembro, quando a ORPLANA reúne produtores, técnicos e representantes da cadeia sucroenergética no 4º Encontro dos Produtores de Cana-de-Açúcar da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, em Nanuque (MG). O evento, promovido pelo Polo Agrícola com realização da UNICANA, começa às 13h no Sicoob Hall e traz na pauta central o impacto da política da gasolina sobre o mercado de etanol — tema que ressoa direto nos números das usinas de Mato Grosso do Sul.
O setor sucroenergético de MS, que deve registrar crescimento de 4,7% na produção de cana na safra 2026/27 segundo a Conab, acompanha de perto as discussões da entidade: a ORPLANA representa hoje mais de 12 mil produtores organizados em 35 associações, responsáveis por mais de 78 milhões de toneladas de cana colhidas em cerca de 885 mil hectares em todo o Brasil. Qualquer mudança no equilíbrio entre etanol e gasolina nas bombas afeta diretamente a rentabilidade das unidades processadoras do estado.
A palestra mais aguardada do encontro é a de José Guilherme Nogueira, CEO da ORPLANA, que vai traçar um panorama da produção canavieira nacional pela ótica do sistema CONSECANA — o mecanismo que define o preço da cana paga ao produtor com base nos teores de açúcar e na valorização dos produtos finais. Nogueira deve detalhar como as decisões recentes do governo federal sobre o preço da gasolina afetaram a demanda por etanol hidratado e quais medidas o setor adotou para preservar a competitividade do biocombustível. "Vamos apresentar as discussões que a ORPLANA tem conduzido nos âmbitos nacional e regional, além da nossa percepção sobre a safra e os possíveis impactos para o próximo ciclo. É importante mostrar como o produtor pode se preparar e como as associações também podem se organizar para esse novo período", afirmou o executivo.
A programação inclui ainda uma análise técnica de Vinícius Cavalcante de Souza, consultor responsável pelo bloco sobre manejo fitossanitário — controle de pragas e doenças que comprometem a produtividade da lavoura. O encerramento fica com Raphael DelloIagono, do PECEGE, que apresentará projeções para açúcar, etanol e ATR com base nos dados da safra em andamento.
Para as usinas sul-mato-grossenses, o debate sobre combustíveis não é abstrato. A conjuntura internacional, com menor oferta de açúcar e aquecimento do mercado global, já vinha pressionando o mix de produção das plantas industriais do estado entre mais açúcar exportável ou mais etanol para o mercado interno. A política de preços da gasolina — que determina em que ponto o etanol hidratado se torna competitivo para o consumidor na bomba — é um dos principais vetores dessa decisão estratégica safra a safra. O encontro de Nanuque, embora voltado à região Sudeste-Nordeste, projeta sinalizações que guiam o planejamento de toda a indústria nacional, incluindo as plantas de Mato Grosso do Sul.
Fontes: ORPLANA; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS