Lei de minerais críticos pode mudar a conta do produtor de MS na safra

Fertilizantes respondem por quase metade do custeio da soja em MT; novo marco legal aprovado em 16/9 inclui fosfato e potássio na fila prioritária de investimentos com até R$ 7 bi em incentivos

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Lei de minerais críticos pode mudar a conta do produtor de MS na safra
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Uma lei sancionada na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, pode alterar uma das maiores vulnerabilidades do agronegócio brasileiro — e, por extensão, de Mato Grosso do Sul: a dependência quase total de fertilizante importado. O novo marco legal de minerais críticos inclui fosfatos, potássio e nitrogênio entre as prioridades do governo federal, abrindo caminho para projetos de mina e de fábrica de adubo com acesso facilitado a crédito, garantias e um pacote de incentivos que pode chegar a R$ 7 bilhões.

O tema ganhou destaque na Climate Week de Nova York, nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, onde governos, empresas e investidores discutem geopolítica e cadeias de suprimentos. Em meio às conversas sobre baterias e data centers, o agro brasileiro apareceu com uma leitura própria: a mesma corrida por minerais que alimenta a eletrificação global é também uma janela para reduzir o custo da safra na porteira.

Quase metade do custeio da soja vem do adubo — e quase todo ele é importado

Os números explicam por que a lei interessa diretamente a quem planta em Mato Grosso do Sul e nos estados vizinhos. Segundo a Conab, os fertilizantes responderam em média por 23% dos custos totais das lavouras de soja, milho e algodão no Brasil. Em Mato Grosso, o Imea estima que o insumo chegue a 46,7% do custeio da soja na safra 2026/27 — ou seja, quase metade do dinheiro colocado na lavoura antes de um grão ser colhido.

E a quase totalidade desse adubo vem de fora: o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome e é o maior importador mundial do insumo. Em 2025, foram 45,5 milhões de toneladas compradas no mercado externo, recorde histórico. Isso significa que o custo da safra brasileira é decidido longe da porteira — no câmbio, no frete marítimo, nos preços internacionais e em crises geopolíticas como as tensões no Oriente Médio, que voltaram a pressionar os insumos ao longo deste ano.

O que a nova lei muda na prática para o produtor

Pablo Cesário, presidente do Ibram, entidade que representa as mineradoras, participou dos debates em Nova York e celebrou a aprovação da legislação. Para o setor produtivo, a lei entrega três mudanças concretas: projetos de mineração e de plantas industriais de adubo entram numa fila preferencial de análise pelo governo federal; ganham acesso facilitado a garantias e títulos para financiar obras, reduzindo o risco do investidor; e passam a ser elegíveis ao fundo garantidor e a créditos fiscais do pacote de R$ 7 bilhões.

O efeito esperado é mais fertilizante produzido dentro do país e menos exposição do produtor à volatilidade externa. Cada tonelada de potássio ou fosfato extraída e processada no Brasil é uma parcela do custeio que deixa de depender de decisões tomadas em outros continentes. Produzido com a matriz elétrica limpa do país e perto das lavouras, o insumo nacional tenderia ainda a chegar com menor pegada de carbono — atributo que o comprador internacional de grãos brasileiros já começa a exigir.

Da tecnologia ao campo: como os dados centers abriram a janela para o fertilizante

A lei nasceu numa agenda impulsionada pela inteligência artificial e pela eletrificação global, que puxam a demanda por lítio, terras raras e outros minerais. O agro aproveitou essa corrente para incluir os minerais dos fertilizantes — fosfato, potássio e enxofre — na mesma legislação, uma vulnerabilidade histórica do setor que, segundo analistas presentes em Nova York, dificilmente teria ganhado prioridade política por conta própria.

A nova regra de incentivo a data centers, aprovada no mesmo pacote, exige contratação de energia renovável ou de baixa emissão, com biomassa e biogás entre as fontes elegíveis — abrindo um novo mercado para palha, bagaço de cana, vinhaça e dejetos animais, subprodutos abundantes no campo sul-mato-grossense. O próximo passo, agora, é o conselho nacional criado pela lei escolher quais projetos saem na frente: abrir mina, erguer planta e entregar produto na porteira do produtor.

Fontes: IBRAM; CONAB; IMEA; CANAL RURAL


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