O mercado físico do boi gordo fechou esta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, com negociações acima da média histórica, resultado do encurtamento das escalas de abate nas praças pecuárias do país — cenário que atinge diretamente frigoríficos de pequeno e médio porte instalados em polos produtores como Mato Grosso do Sul, que dependem do mercado à vista para fechar a compra de boiadas.
O levantamento mais recente da Safras & Mercado mostra que, enquanto grandes indústrias conseguem se blindar da escalada de preços por meio de contratos de parceria e confinamentos próprios, as unidades menores sentem o aperto na hora de negociar o gado para abate imediato — uma realidade que se repete em regiões pecuaristas de MS, onde plantas de menor porte competem com frigoríficos de capital nacional pela mesma oferta de animais.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a tendência de curto prazo ainda aponta para novos reajustes na arroba, principalmente nas operações que envolvem plantas de abate menores. "As indústrias de maior porte permanecem em uma posição relativamente mais confortável, beneficiadas pela oferta de animais provenientes de contratos de parceria e pela utilização de confinamentos próprios para atender às necessidades mais imediatas", afirma o analista.
Mesmo com a valorização recente da arroba no mercado físico, os contratos futuros negociados na bolsa seguem com prêmio relevante em relação ao preço à vista — uma diferença que, segundo Iglesias, mantém atrativas as operações de hedge para produtores que buscam travar margem antes da entrega do gado. Esse movimento já vinha sendo observado em setembro, quando a combinação de oferta restrita de animais prontos para abate com um câmbio mais favorável às exportações vinha sustentando a valorização da arroba, como o MSConecta mostrou em reportagem sobre o cenário do mês.
Enquanto a arroba do boi segue pressionada, o mercado atacadista de carne bovina operou com preços praticamente estáveis nesta quarta-feira, sem espaço para reajustes imediatos nos cortes. Iglesias atribui a acomodação à falta de estímulos ao consumo nesta semana e à concorrência da carne de frango, que segue mais competitiva em preço e limita o repasse dos custos da matéria-prima bovina ao consumidor final.
O dólar comercial, por sua vez, fechou o dia em queda de 0,76%, cotado a R$ 5,0894 na venda e R$ 5,0874 na compra, depois de oscilar entre a mínima de R$ 5,0706 e a máxima de R$ 5,1276 ao longo do pregão — variação que interfere diretamente na competitividade da carne exportada por frigoríficos sul-mato-grossenses, já que a moeda mais fraca reduz a receita em reais das vendas ao exterior. O movimento cambial ocorre no mesmo mês em que os Estados Unidos anunciaram a ampliação temporária da cota de importação de carne bovina para conter a alta de preços internos, decisão que o MSConecta já havia detalhado e que também influencia as expectativas do mercado de exportação brasileiro.
Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL