Trump anuncia ampliação temporária da importação de carne bovina para conter alta de preços nos EUA

Medida permitirá a entrada de até 300 mil toneladas destinadas à produção de carne moída sem tarifas extras durante 90 dias

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) um acordo para ampliar temporariamente a importação de produtos destinados à produção de carne moída. A medida permitirá a entrada de até 300 mil toneladas métricas sem a cobrança de tarifas aplicadas fora das cotas de importação durante os próximos 90 dias.

Segundo Trump, o objetivo é reduzir o preço da carne para os consumidores norte-americanos e aliviar a pressão causada pela redução do rebanho bovino no país. Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que a iniciativa também busca dar tempo para a recuperação da pecuária doméstica. 

O republicano declarou que a expectativa é que a carne importada seja comercializada com valores até 25% menores do que os preços atualmente praticados no mercado dos Estados Unidos. 

Mercado enfrenta escassez e preços elevados

A decisão ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado norte-americano de carne bovina. A redução do rebanho dos Estados Unidos, apontada como a menor em décadas, contribuiu para o aumento dos preços ao consumidor.

Dados citados pela imprensa norte-americana indicam que o preço da carne moída acumulou alta expressiva nos últimos anos, impulsionado pela oferta mais restrita e pela manutenção da demanda. 

Trump afirmou que a medida funcionará como uma solução temporária enquanto o governo busca fortalecer a produção doméstica e incentivar os pecuaristas norte-americanos a ampliar novamente seus rebanhos. 

Brasil pode ser beneficiado

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que ainda não recebeu detalhes oficiais sobre a implementação da medida e que não há definição sobre quais países serão contemplados. 

Mesmo sem informações completas, a entidade avalia que uma ampliação da cota tarifária poderá favorecer as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos. Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores, que costuma ser esgotada rapidamente no início de cada ano. Após esse limite, as exportações continuam, mas passam a pagar uma tarifa extra de 26,4%. 

Caso o Brasil seja incluído no novo regime temporário anunciado pela Casa Branca, frigoríficos brasileiros poderão ampliar sua competitividade no mercado norte-americano. 

Falta regulamentação

Apesar do anúncio, ainda não foram divulgados os critérios de operacionalização da medida, nem os países que poderão exportar dentro da nova cota temporária. O governo norte-americano também não detalhou o mecanismo que garantirá a comercialização da carne com desconto ao consumidor final.

Enquanto aguarda a regulamentação oficial, o setor exportador acompanha com expectativa os desdobramentos da decisão, considerada uma das mais relevantes para o mercado internacional de carne bovina em 2026.


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