Os contratos futuros do milho encerraram a quinta-feira (20) em alta nas duas principais praças de negociação do setor — a Bolsa de Chicago (CBOT) e a Bolsa Brasileira (B3) —, impulsionados por dúvidas crescentes sobre o tamanho real da safra norte-americana, afetada por alagamentos, estresse hídrico na fase de polinização e previsões de calor intenso ao longo de agosto. Para o produtor de milho safrinha de Mato Grosso do Sul, o movimento traz alívio depois de semanas de pressão baixista.
O pano de fundo do rali está nos Estados Unidos, onde o Pro Farmer Tour — gira anual que percorre lavouras de milho para estimar a produtividade antes do relatório oficial do USDA — apontou condições piores do que as projetadas pelo governo americano. A combinação de chuvas torrenciais seguidas de seca no período crítico de polinização abriu espaço para que analistas apostem em novos cortes nas estimativas de produção nas próximas semanas.
Em Chicago, o contrato com vencimento em setembro de 2026 foi negociado a US$ 4,78, com valorização de 1,22% sobre o fechamento de quarta-feira. O dezembro/26 encerrou a US$ 5,03 (+1,10%), enquanto o março/27 chegou a US$ 5,18 (+0,88%) e o maio/27 ficou em US$ 5,24 (+0,77%). O site especializado Farm Futures alertou que as temperaturas acima da média devem persistir pelo menos até o fim de agosto, o que pode adicionar mais pressão sobre a oferta americana nos próximos relatórios.
Na B3, o movimento foi na mesma direção. O vencimento setembro/26 fechou a R$ 71,31 (+0,44%), o janeiro/27 foi a R$ 79,71 (+0,86%), e o março/27 alcançou R$ 81,00 com alta de 1,06% — o maior avanço da sessão. O maio/27 encerrou a R$ 79,54 (+0,81%). A consultoria Agrinvest destacou que "os futuros vêm se mantendo acima de R$ 70,00 por saca, recuperando boa parte das perdas observadas no fim de julho".
A dinâmica interna do mercado brasileiro revela uma situação peculiar para o interior produtivo de Mato Grosso do Sul: o produtor rural está mais focado em comercializar a soja da safra nova do que em fechar negócios com o milho safrinha. Esse comportamento reduziu a liquidez das transações físicas nos últimos dias, mas não derrubou as cotações. Segundo a Agrinvest, "o mercado no interior segue firme, com preços próximos aos patamares do início da semana".
Esse equilíbrio importa diretamente para municípios como Maracaju, Dourados e Sidrolândia, que figuram entre os maiores produtores de milho safrinha do estado. Com a saca se mantendo acima de R$ 70,00, o produtor ganha margem para negociar os lotes remanescentes sem pressão imediata, especialmente enquanto o mercado internacional ainda não definiu o tamanho do estrago nas lavouras americanas.
O fator mais decisivo para os próximos pregões será o relatório de oferta e demanda do USDA previsto para agosto, que poderá confirmar — ou não — os cortes de produtividade sinalizados pelo Pro Farmer Tour. Se os números americanos desapontarem, a pressão altista em Chicago tende a se estender ao mercado brasileiro, beneficiando quem ainda tem milho em armazém no estado.
Por outro lado, o câmbio continua como variável de atenção. Um real mais fraco em relação ao dólar eleva a atratividade das exportações brasileiras de milho e contribui para sustentar os preços internos. Para o produtor sul-mato-grossense que ainda não comercializou toda a safrinha, o cenário atual — incertezas climáticas nos EUA, mercado interno firme e futuros em alta — oferece uma janela de negociação mais favorável do que a vista no fim de julho.
Fontes: AGRINVEST, B3, CBOT, PRO FARMER TOUR