Um pecuarista com propriedades em Rochedo e Camapuã, no Mato Grosso do Sul, registrou ganho de 20 a 30 quilos a mais por bezerro após adotar suplementos minerais com aditivos nutricionais na fase de cria — resultado que ilustra o potencial de uma nova geração de produtos voltados a extrair mais proteína das pastagens sem ampliar a área de produção. O relato faz parte do relançamento da linha Tech Sal, da ADM, que chega reformulada ao mercado após 20 anos de atuação na pecuária brasileira.
O Brasil tem cerca de 160 milhões de hectares de pastagens, segundo a Embrapa, e mais de 200 milhões de cabeças de bovinos — quase 90% delas criadas exclusivamente em sistemas a pasto. Esse cenário coloca a eficiência no aproveitamento das forragens no centro da disputa por competitividade no agronegócio nacional, especialmente em um momento de oscilação nos preços internacionais de grãos e insumos que pressionam o custo da ração concentrada.
A versão reformulada da linha Tech Sal incorpora um conjunto de ingredientes com funções complementares no ambiente ruminal dos bovinos. Os minerais quelatados aumentam a absorção de micronutrientes e reduzem a excreção no solo — um ganho ambiental que interessa a produtores que buscam certificações de sustentabilidade. Os prebióticos à base de bacilos atuam na digestibilidade da fibra do capim, tornando cada quilo de matéria seca mais aproveitável pelo animal. A formulação inclui ainda óleos essenciais fitogênicos, uma alternativa aos ionóforos em mercados — como a União Europeia — onde o uso desses aditivos é restrito, o que abre espaço para produtores que exportam ou planejam exportar para destinos com regras mais rígidas.
"O maior potencial da pecuária brasileira está justamente na capacidade de transformar pasto em proteína de forma eficiente. Quando aumentamos o aproveitamento da fibra das forragens, podemos produzir mais utilizando o principal recurso disponível na propriedade, reduzindo a necessidade de outros ingredientes e elevando a eficiência do sistema produtivo como um todo", afirma Cartland Cunico, gerente de Produtos para Ruminantes de Corte da ADM no Brasil. Para o MS, onde a bovinocultura de corte é uma das principais âncoras econômicas do estado, esse argumento tem peso direto na margem do produtor.
O produtor Jadson Alves dos Santos — conhecido também pela carreira na música sertaneja — mantém gado de corte em propriedades em Rochedo, Camapuã e em Itiquira (MT). Há três anos, ele passou a incluir os produtos Tech Sal Recria Max e Tech Sal Cria Max na estratégia nutricional do rebanho. O impacto apareceu principalmente na fase de desmame. "Percebo que o benefício não é só no estado corporal das vacas, mas também nos animais que desmamam. Quando passei a utilizar aditivos na cria, sentimos uma diferença de ganho de 20 a 30 kg nos bezerros que lambem um mineral com aditivos", relata o pecuarista.
Outro exemplo vem do Acre: em Porto Walter, o produtor Francisco Daniel de Souza introduziu em 2025 o Tech Sal Turbo XP — suplemento peletizado com óleos essenciais e minerais quelatados — e registrou ganho médio diário de até 1,4 quilo por animal, mesmo com consumo de apenas 800 gramas do produto por cabeça em sistema de subconfinamento. O resultado reforça a proposta da linha: ampliar a produtividade com menor dependência de grãos e concentrados.
O Mato Grosso do Sul figura entre os maiores estados produtores de carne bovina do Brasil, com um rebanho que supera 21 milhões de cabeças e exportações que colocam o estado entre os principais fornecedores mundiais de proteína animal. Nesse contexto, tecnologias que aumentam a eficiência das pastagens — sem exigir abertura de novas áreas — respondem diretamente a pressões de mercado e de sustentabilidade que já chegam às mesas de negociação com importadores europeus e asiáticos.
A ADM chegou ao segmento de nutrição mineral no Brasil com a incorporação da Socil em 2018, empresa com 85 anos de história no setor. A combinação entre a tradição da Socil e a capacidade de pesquisa global da ADM é o que sustenta, segundo a empresa, o avanço na formulação dos novos produtos. Para os pecuaristas de Rochedo, Camapuã e de tantas outras cidades do MS onde o pasto ainda é o maior ativo da fazenda, o desafio — e a oportunidade — é o mesmo: tirar mais quilos de carne de cada hectare verde.
Fontes: ADM, EMBRAPA