A arroba do boi gordo deve seguir em trajetória de alta ao longo de setembro, sustentada por uma combinação de fatores que inclui menor oferta de animais prontos para abate, câmbio favorável às exportações, demanda externa firme e estação seca pressionando o peso dos animais em campo. O cenário beneficia diretamente os pecuaristas de Mato Grosso do Sul, segundo estado maior rebanho bovino do Brasil e um dos principais fornecedores de gado gordo para os frigoríficos do Centro-Oeste.
O mês de agosto já sinalizou recuperação nos preços, e o mercado projeta que setembro consolide esse movimento. A dinâmica é conhecida no setor: após o segundo semestre do ano começar com oferta ainda razoável, o rebanho vai se esvaziando nos confinamentos e nas pastagens, e a arroba naturalmente ganha fôlego. Mas desta vez, analistas apontam que há mais de um vetor empurrando o preço para cima ao mesmo tempo.
O primeiro fator é a redução na oferta de bovinos prontos para abate. O ciclo de retenção de fêmeas — quando produtores seguram vacas para reposição do rebanho — diminuiu a quantidade de animais disponíveis para as plantas frigoríficas. Com menos boi na praça, o poder de barganha do pecuarista aumenta na hora de negociar o preço com as indústrias.
O segundo vetor é o câmbio. Com o dólar operando em patamares elevados frente ao real, a carne bovina brasileira fica mais competitiva no mercado internacional, estimulando exportações e reduzindo o volume de carne disponível no mercado interno — o que pressiona os preços domésticos para cima. O terceiro fator é a demanda externa aquecida, especialmente da China, principal destino da proteína bovina produzida em MS. O quarto elemento é climático: a seca do período estival prejudica o ganho de peso dos animais nas pastagens, tornando mais difícil e caro engordar o boi, o que eleva o custo de produção e, por consequência, o preço mínimo aceito pelo produtor.
Mato Grosso do Sul encerrou 2024 com um rebanho estimado em mais de 22 milhões de cabeças, segundo o IBGE, consolidando o estado como referência nacional em pecuária de corte. Municípios como Corumbá, Aquidauana, Miranda, Ribas do Rio Pardo e Campo Grande concentram grandes operações de cria, recria e engorda, e são diretamente impactados pela oscilação da arroba.
Para o pecuarista que tem animais prontos para venda neste mês, o momento é considerado estratégico. Quem conseguiu manter o confinamento até setembro tende a capturar preços mais altos do que os praticados no inverno. Por outro lado, produtores que precisarem vender animais ainda abaixo do peso ideal podem enfrentar desconto proporcional, o que reduz o ganho líquido mesmo em um mercado em valorização.
A valorização da arroba também coloca os frigoríficos instalados em MS sob atenção. Com o custo da matéria-prima subindo, as margens das plantas de abate ficam pressionadas — o que pode levar as indústrias a repassar parte do custo ao produto final ou a negociar volumes maiores de exportação para compensar. Mato Grosso do Sul abrigou em 2024 plantas de grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva, responsáveis por parcela significativa das exportações de carne bovina do estado.
O mercado externo continua como principal termômetro: enquanto a China mantiver a demanda por cortes brasileiros e o câmbio sustentar o real desvalorizado, a tendência de alta para a arroba deve se manter ao longo do trimestre. O olhar agora se volta para outubro, quando o início das chuvas costuma melhorar o pasto e ampliar a oferta — o que historicamente modera os preços. Até lá, setembro deve ser o mês do pecuarista em Mato Grosso do Sul.
Fontes: CANAL RURAL, IBGE