Sul de MS ganha chuvas do El Niño, mas expansão da soja no país é a menor em 20 anos

Consultoria Datagro projeta crescimento de apenas 0,3% na área plantada para 2026/27, com custos elevados e crédito caro freando produtores em todo o Brasil.

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Sul de MS ganha chuvas do El Niño, mas expansão da soja no país é a menor em 20 anos
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A safra de soja 2026/27 deve registrar o menor crescimento de área plantada no Brasil em duas décadas, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (21) pela consultoria Datagro durante o evento 7ª Datagro Abertura de Safra, realizado em Goiânia. A estimativa é de 49,3 milhões de hectares — avanço de apenas 0,3% sobre a temporada anterior —, enquanto a produção deve chegar a 185,6 milhões de toneladas, com produtividade média projetada em 3.763 quilos por hectare, 1% acima do recorde atual.

O freio na expansão tem nome e endereço: custos de produção elevados, crédito mais caro e a incerteza climática trazida pelo El Niño. Para Mato Grosso do Sul, o fenômeno climático divide o mapa em dois cenários opostos — e isso muda as apostas dos produtores para os próximos meses.

Por que o produtor parou de expandir?

"Esse ambiente tem levado a uma postura mais cautelosa diante da nova safra", disse Pedro Bohn Schmaedecke, analista de mercado de grãos da Datagro. Segundo ele, a combinação de insumos mais caros e financiamento menos acessível reduziu o apetite dos produtores por novas áreas. Não é inadimplência nem crise de preços — é precaução calculada diante de margens que, embora ainda positivas, encolheram em relação ao ciclo de bonança dos últimos anos.

A Datagro trabalha com 80% de probabilidade de ocorrência do El Niño entre outubro e dezembro de 2026. Diferente dos anos de La Niña, quando a seca castiga o Centro-Sul, o El Niño tende a elevar as precipitações nessa faixa e aumentar temperaturas e risco de veranicos no Norte e Nordeste do país — razão pela qual a consultoria adotou premissas de produtividade mais conservadoras para as regiões mais vulneráveis à estiagem.

MS dividido: chuva no Sul, cautela no Norte

Para Mato Grosso do Sul, a leitura da Datagro é ambivalente. O sul do estado — que inclui municípios da faixa de fronteira como Ponta Porã, Amambai e Dourados, além de Maracaju — deve ser beneficiado pela maior frequência de chuvas associada ao El Niño. É uma boa notícia para produtores que ainda lembram das perdas por seca em ciclos anteriores.

Mas a cautela geral do setor afeta o estado como um todo. Flávio França Júnior, líder da área de grãos da Datagro, destacou que mesmo em Mato Grosso — vizinho e principal produtor nacional —, especialmente no norte do estado, a consultoria projeta produtividades médias abaixo das obtidas na safra recém-encerrada. A leitura é que o clima favorável no Sul não cancela o conservadorismo financeiro que orienta as decisões de plantio em toda a região Centro-Oeste.

Margens positivas sustentam a temporada, mas sem euforia

Apesar do cenário de contenção, a Datagro não prevê colapso de rentabilidade. A consultoria estima lucratividade bruta próxima de 20% para produtores de soja em Mato Grosso, sustentada pela combinação de preços mais firmes na bolsa de Chicago e câmbio favorável ao exportador. A comercialização antecipada — prática comum entre os maiores produtores de MS — encontra suporte nesse cenário e pode garantir travamento de margens antes de qualquer volatilidade climática no segundo semestre.

Para o produtor sul-mato-grossense, o recado da temporada 2026/27 é de equilíbrio, não de expansão. Quem já tem área consolidada entra com perspectiva de retorno razoável; quem pensava em derrubar pasto para abrir nova lavoura tende a esperar mais um ciclo. O menor crescimento de área em 20 anos não é uma crise — é o setor respirando fundo antes de decidir o próximo passo.

Fontes: DATAGRO


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