Almir Sater preside instituto pantaneiro em 2003 e recebe título de Embaixador do Pantanal em 2025

O cantor e produtor rural mantém fazenda de 25 mil hectares em Aquidauana e há mais de duas décadas pratica pecuária aliada à conservação no bioma.

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Almir Sater preside instituto pantaneiro em 2003 e recebe título de Embaixador do Pantanal em 2025
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Antes de receber o título de Embaixador do Pantanal do Governo de Mato Grosso do Sul, em maio de 2025, Almir Sater já havia assumido, em 2003, a presidência do Instituto Parque do Pantanal (IPP) — um projeto pioneiro de gestão participativa entre produtores rurais e poder público em Aquidauana. O que poucos sabem é que, por trás da viola, existe um pecuarista à frente de uma propriedade de aproximadamente 25 mil hectares na região sul-mato-grossense do bioma, a Fazenda Campo Novo.

A história conecta dois momentos separados por mais de vinte anos, mas guiados pela mesma questão: é possível criar gado no Pantanal sem destruir o que faz desse ecossistema um dos mais singulares do planeta? Para Sater, a resposta nunca foi teórica. Ela está impressa na terra onde ele vive e produz.

Da presidência do IPP à produção de vitelo orgânico pantaneiro

Quando assumiu o Instituto Parque do Pantanal em abril de 2003, Almir Sater encampou uma proposta que, naquele momento, tinha pouco espaço no debate agropecuário brasileiro: integrar preservação, atividade econômica e permanência das famílias rurais dentro do bioma, sem expulsar o produtor de sua terra. A Fazenda Campo Novo estava inserida na área do chamado Parque Regional do Pantanal e servia como exemplo prático do modelo.

Registros do período, preservados pelo Instituto Socioambiental, mostram que o projeto era sustentado por três pilares — meio ambiente, economia e desenvolvimento social — e incluía iniciativas de educação por meio das escolas pantaneiras, manejo sustentável e produção de vitelo orgânico pantaneiro, carne de maior valor agregado que tentava remunerar melhor o produtor que preservasse a vegetação nativa. O próprio Sater defendia, naquele momento, o conhecimento do homem pantaneiro como ativo econômico a ser valorizado — não como obstáculo ao progresso.

25 mil hectares no Pantanal: tamanho que precisa de contexto para ser lido

No Pantanal, área não se mede da mesma forma que em regiões de pecuária intensiva. O regime sazonal de cheias e secas, a disponibilidade variável de pastagens e a densidade de vegetação nativa fazem com que grandes extensões sejam, na prática, necessárias para uma criação economicamente viável. Os 25 mil hectares da Fazenda Campo Novo — cerca de 250 quilômetros quadrados — não representam, portanto, apenas riqueza fundiária: representam o tamanho do desafio de administrar produção em um ecossistema que impõe ritmos próprios ao pecuarista.

A propriedade nunca foi convertida em reserva pura. A pecuária permaneceu no centro do modelo, com participação em iniciativas ligadas à produção orgânica e ao manejo compatível com as características do bioma. É exatamente aí que a Fazenda Campo Novo deixa de ser apenas a fazenda de um cantor famoso e passa a ser um caso com relevância para o debate sobre o futuro da pecuária sul-mato-grossense.

O que foi debatido em 2003 virou política pública em Mato Grosso do Sul

Em maio de 2025, durante o Fórum LIDE COP 30, realizado em Bonito, o Governo do Estado entregou a Almir Sater o título de Embaixador do Pantanal. O reconhecimento chegou mais de duas décadas depois da presidência do IPP e em um momento em que Mato Grosso do Sul tenta transformar a agenda de sustentabilidade em estratégia econômica concreta: pecuária de baixo carbono, pagamento por serviços ambientais, integração lavoura-pecuária-floresta e rastreabilidade de produto são hoje eixos centrais das políticas do setor no estado.

O alinhamento não é coincidência. Boa parte do que o projeto do Parque Regional do Pantanal preconizava em 2003 — produzir, conservar e manter o produtor no território — reaparece agora em mercados internacionais que pagam prêmio por carne sustentável e em mecanismos de crédito de carbono que remuneram quem mantém vegetação nativa em pé. Para o agronegócio de MS, que tem no Pantanal um dos seus territórios produtivos mais sensíveis e mais visados globalmente, a trajetória rural de Sater oferece uma linha do tempo pouco conhecida de como essa discussão começou bem antes de virar pauta nas COPs.

A Fazenda Campo Novo, em Aquidauana, segue ativa. E a pergunta que Sater ajudou a colocar em debate há mais de vinte anos — como produzir sem destruir o Pantanal — nunca esteve tão no centro das decisões que vão definir o valor da pecuária sul-mato-grossense nas próximas décadas.

Fontes: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL, GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL


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