Soja: dólar sobe a R$ 5,19 e trava negócio no campo em MS

Produtores mantêm pedidas distantes das ofertas em meio à espera por acordo entre EUA e China; veja como ficaram os preços do grão

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Soja: dólar sobe a R$ 5,19 e trava negócio no campo em MS
Coordenação-Geral de Observação da Terra/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

O mercado brasileiro de soja viveu mais um dia de negócios lentos nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, com produtores segurando o produto e compradores sem pressa para fechar contratos. O dólar comercial fechou em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,1937 na venda, o que encareceu ainda mais a distância entre quem vende e quem compra — um cenário que chega direto à mesa de negociação de quem planta soja em Mato Grosso do Sul, terceiro maior produtor do grão no país.

A leitura de quem acompanha o pregão diariamente é de um mercado travado, sem gatilho para movimentar volumes. "O mercado está um pouco saturado, sem indicações ou ímpeto forte por parte dos compradores", avalia Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado. Enquanto isso, os holofotes internacionais seguem voltados para a mesa de negociação entre Washington e Pequim, de onde pode sair a definição que destrava — ou não — o apetite chinês por soja americana.

Produtor segura preço enquanto porto continua atrativo

No campo, a régua dos produtores sul-mato-grossenses e do restante do país segue longe da oferta apresentada pelas tradings, o que tem represado negócios mesmo com prêmios em leve alta. Segundo Silveira, essa retração no volume negociado é reflexo direto da pouca liquidez: sem urgência de caixa, quem tem soja guardada prefere esperar um preço melhor antes de vender.

Enquanto o mercado interno corrigiu levemente os basis para baixo, os portos brasileiros continuam pagando prêmios competitivos, um fator que tende a puxar o produtor para o embarque em vez da venda para a indústria doméstica. É justamente essa combinação — porto atrativo e produtor resistente — que tem mantido o pêndulo do negócio em compasso de espera nas últimas semanas.

Chicago recua à espera de sinal de Trump e Xi Jinping

Do lado externo, a Bolsa de Chicago fechou em leve baixa nesta quinta-feira, com o contrato de novembro caindo 0,03%, a US$ 13,17 1/2 por bushel, enquanto a posição de janeiro recuou 0,13%, para US$ 13,32 por bushel. O mercado aguarda desdobramentos do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou nesta semana que Estados Unidos e China concordaram em estender até 10 de janeiro de 2027 a trégua que evita uma nova escalada na guerra comercial entre as duas potências.

Os operadores também digeriram os dados semanais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA): as vendas líquidas de soja da safra 2026/27 somaram 582,4 mil toneladas na semana encerrada em 17 de setembro, número abaixo do esperado pelo mercado. Em paralelo, exportadores privados americanos reportaram ao USDA a venda de 120 mil toneladas de soja para a China, com embarque previsto ainda para a temporada 2026/27 — um sinal, ainda tímido, de que o comprador chinês segue no radar do produto americano. A previsão de tempestades nas Planícies e no centro-oeste dos Estados Unidos até o fim de semana, com risco de atraso na colheita, é outro fator que o mercado voltado à safra recorde americana monitora de perto para as próximas rodadas de negociação.

Nos subprodutos, o farelo de soja com vencimento em dezembro subiu 0,48%, a US$ 372,40 por tonelada, enquanto o óleo de soja para o mesmo mês recuou 0,38%, fechando a 67,55 centavos de dólar. Para o produtor de MS, que segue de olho em como as compras chinesas recentes influenciam o mercado interno, a combinação de dólar em alta e Chicago em queda ainda não trouxe motivo suficiente para reaproximar as pontas da negociação.

Fontes: SAFRAS & MERCADO; USDA; CANAL RURAL


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