Soja fecha semana com portos parados e MS entre a espera do acordo EUA-China

Saca segue em R$ 162 em Paranaguá e R$ 164 em Rio Grande; produtores de MS aguardam detalhes de negociação só divulgados na segunda

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Soja fecha semana com portos parados e MS entre a espera do acordo EUA-China
Dan Hamill/Pexels

A semana de negociação da soja terminou nesta sexta-feira (25) praticamente sem sobressaltos no mercado brasileiro, com poucas ofertas, alguns recuos pontuais nas praças internas e portos estagnados — enquanto a Bolsa de Chicago fechou em leve alta, à espera dos detalhes do acordo comercial entre Estados Unidos e China anunciado após a cúpula de quinta-feira (24). Para o produtor de Mato Grosso do Sul, que vende sua produção olhando diretamente para essas referências de porto e de tela, a notícia é de acomodação: nada mudou de forma abrupta, mas o mercado segue travado até que Washington detalhe, na próxima segunda-feira, o que exatamente foi fechado com os chineses.

O cenário de cautela não é novidade isolada desta semana — é reflexo de um impasse que já se arrasta há meses entre os dois maiores players do comércio global de soja. A cúpula desta quinta-feira gerou expectativa, mas, segundo o que foi divulgado pelo próprio governo americano, a China não assumiu novos compromissos de compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos. Isso mantém o mercado brasileiro — e, por consequência, o sul-mato-grossense — na mesma posição de quem espera para decidir o próximo movimento.

Preços nos portos ficam parados e travam negociação interna

Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, o mercado interno viveu uma semana de baixa movimentação e poucas ofertas, com recuos localizados em algumas praças e um certo alívio nos basis — a diferença entre o preço local e a referência de Chicago. Nos portos, no entanto, o quadro foi de estabilidade total: em Paranaguá (PR), a saca de soja fechou em R$ 162,00, enquanto em Rio Grande (RS) a referência não saiu de R$ 164,00.

"O mercado seguiu bastante travado", resumiu Silveira, descrevendo um comportamento que se repetiu ao longo de toda a semana e que tende a persistir enquanto compradores e vendedores aguardam sinalização mais clara do desfecho comercial entre EUA e China. Para o produtor de Dourados, Maracaju e demais polos produtores do Cone Sul de MS, esse impasse significa segurar a soja em silo ou negociar com margem mais apertada, já que qualquer valorização depende de um fato concreto que ainda não veio.

Chicago sobe com ajuda do dólar, mas petróleo pesa contra a soja

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos de soja com entrega em novembro fecharam com alta de 2,25 centavos de dólar (0,17%), cotados a US$ 13,19 3/4 por bushel, enquanto a posição de janeiro avançou 1,00 centavo (0,07%), para US$ 13,32 3/4. O movimento foi de bastante volatilidade ao longo do dia: o mercado chegou a operar em queda, pressionado pelo recuo do petróleo — que havia superado US$ 108 o barril na sessão anterior e cedeu diante de rumores de negociação entre Estados Unidos e Irã para reabertura gradual do Estreito de Ormuz.

Do lado oposto, as chuvas persistentes no Meio-Oeste americano seguiram atrasando a colheita e restringindo a oferta disponível para processamento, o que ajudou a sustentar os preços em Chicago. Nos subprodutos, o farelo de soja com vencimento em dezembro recuou US$ 1,80 (0,48%), para US$ 370,60 por tonelada, enquanto o óleo de soja avançou 0,29 centavo (0,42%), fechando a 67,84 centavos de dólar. O dólar comercial brasileiro, por sua vez, encerrou a sexta-feira em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,1847 na venda, mas acumulou alta de 0,72% ao longo da semana — variação que segue no radar de quem exporta soja a partir de Mato Grosso do Sul, já que um dólar mais forte tende a favorecer o produtor na hora de fechar negócio. A expectativa agora recai sobre a divulgação oficial dos termos do acordo, prometida para a próxima segunda-feira pelo governo americano.

Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL


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