A Adecoagro Vale do Ivinhema assumiu oficialmente o controle da Usina Caarapó, em Caarapó (MS), após a Raízen concluir a transferência do ativo no início de setembro de 2026 — transação anunciada ao mercado em 20 de julho e avaliada inicialmente em R$ 760 milhões. O negócio envolveu não apenas a planta industrial, mas também o canavial próprio e todos os contratos com fornecedores de cana vinculados à unidade.
Com a aprovação dos órgãos reguladores competentes e o cumprimento das condições contratuais, a Adecoagro passou a gerir integralmente os ativos operacionais. O valor final, com os ajustes de preço usuais para operações desse porte no setor sucroenergético, não foi discriminado pela Raízen no comunicado de encerramento — mas o montante de referência permanece o R$ 760 milhões divulgado na largada das negociações.
A venda da usina sul-mato-grossense não é um movimento isolado: ela integra um plano amplo de reestruturação e desalavancagem da Raízen, que vem revisando seu portfólio agroindustrial com foco em rentabilidade e eficiência logística. Na mesma semana em que selou a saída de Caarapó, a companhia também concluiu a venda de suas operações na Argentina por cerca de US$ 1,4 bilhão — sinal de que o processo vai além de ajustes pontuais no Brasil.
Para o município de Caarapó, no Cone Sul de Mato Grosso do Sul, a mudança de controlador é relevante: a Adecoagro, que já operava outras duas plantas na região do Vale do Ivinhema, passa a concentrar ainda mais capacidade de processamento de cana no estado, o que pode alterar a dinâmica de fornecimento e de contratos com produtores locais de cana-de-açúcar.
Com Caarapó no portfólio, a Adecoagro consolida sua posição no setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul. A empresa já havia ampliado sua presença no estado antes mesmo deste negócio, e a adição de uma terceira planta reforça a aposta na região como hub de produção de etanol e açúcar — setores em que MS ocupa posição estratégica no centro-sul do país.
A absorção dos contratos com fornecedores de cana é o ponto mais sensível da transição para os produtores rurais da região: significa que os vínculos comerciais já firmados com a Raízen passam a ser honrados pela Adecoagro, ao menos dentro das condições previstas nos contratos transferidos. Qualquer renegociação futura dependerá da estratégia operacional do novo controlador para a safra 2026/2027.
Fontes: RAÍZEN; ANDRAVIRTUAL