A Adecoagro Vale do Ivinhema S.A. assumiu oficialmente o controle da Usina Caarapó nesta semana, após a Raízen concluir a transferência do ativo por R$ 760 milhões pagos à vista — negócio que havia sido estruturado desde o final de julho e aguardava aval de órgãos reguladores para ser fechado. Com a operação, a Raízen encerra completamente sua presença na produção sucroenergética de Mato Grosso do Sul, enquanto a Adecoagro salta para três unidades industriais no estado, igualando-se em número à Atvos.
A transação abrange a planta industrial voltada à produção de açúcar, etanol e bioenergia, os canaviais próprios e a cessão integral dos contratos com fornecedores rurais da região de Caarapó. No ciclo da safra 2025/2026, a usina processou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, segundo dados divulgados pela própria companhia ao mercado.
Para a Adecoagro, a aquisição não é apenas um acréscimo de capacidade: é um reordenamento logístico. A usina de Caarapó fica a cerca de 100 quilômetros das outras duas plantas já operadas pelo grupo — em Angélica e Ivinhema —, o que permite integrar o escoamento rodoviário da produção, reduzir custos de frete e compartilhar estruturas agrícolas entre as unidades. O triângulo formado pelas três fábricas está inteiramente no Cone Sul do estado, uma das regiões mais densas da cadeia sucroalcooleira sul-mato-grossense.
A compra da Usina Caarapó, que o MSConecta já havia noticiado quando o valor de R$ 760 milhões foi anunciado, marca o fim de um ciclo para a Raízen em MS. Antes de Caarapó, a empresa já havia transferido as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo para a Cocal, dentro do mesmo processo de reestruturação de portfólio e redução de endividamento.
No cenário nacional, a Raízen passa a operar 23 usinas com capacidade instalada para processar 69 milhões de toneladas de cana por safra. A saída de MS faz parte de um plano mais amplo de simplificação operacional: no mesmo dia em que entregou a usina em Caarapó, a companhia também concluiu a venda de toda a sua operação de refino e rede de postos de combustíveis na Argentina para o grupo Mercuria, em uma transação avaliada em US$ 1,42 bilhão. Os dois movimentos simultâneos sinalizam a direção estratégica que a Raízen escolheu: concentrar capital e estrutura nos ativos considerados centrais ao negócio.
Para Mato Grosso do Sul, a mudança de controle em Caarapó representa menos uma ruptura do que uma reorganização: a usina segue em operação, os contratos com fornecedores rurais foram cedidos integralmente à Adecoagro e a produção da safra regional não é interrompida. O que muda é quem comanda — e o grupo argentino com sede operacional no Brasil agora tem no estado um dos seus maiores clusters sucroenergéticos.
Fontes: RAÍZEN; RCN67