As exportações brasileiras de carne angus certificada acumularam crescimento de 32% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados apresentados pela Associação Brasileira de Angus durante a 49ª Expointer, realizada em Esteio (RS). O volume exportado chegou a 5.540 toneladas, distribuídas para 29 países — um desempenho que reflete o momento favorável do mercado global de proteína animal e beneficia diretamente os pecuaristas sul-mato-grossenses, que têm ampliado o plantel angus nos últimos anos.
O resultado coloca o Brasil em posição de destaque na disputa pelo mercado premium de carne bovina, segmento no qual o angus certificado funciona como um passaporte de valorização para o produto. Para o produtor de Mato Grosso do Sul — estado com o terceiro maior rebanho bovino do país e forte tradição na pecuária de corte —, a alta nas exportações representa uma janela de renda superior por arroba, já que o gado certificado comanda preços mais altos que o mercado convencional.
Além da expansão nas exportações, o programa de certificação registrou crescimento em toda a cadeia produtiva. Nos primeiros sete meses de 2026, foram 344.690 animais angus abatidos, alta de 11% frente ao mesmo período de 2025. Na etapa de desossa, a produção chegou a 28.910 toneladas, volume 12,6% superior ao registrado no ano passado. Os números indicam que a demanda interna e externa pelo produto segue aquecida, incentivando frigoríficos a ampliar a captação de animais com padrão genético angus.
"Acredito que o Brasil é um país de grandes oportunidades no mercado da proteína, e nossa produção e exportação só tendem a aumentar", afirmou José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Associação Brasileira de Angus, durante o evento Carne Angus 360, realizado na Expointer. A declaração resume a confiança do setor diante de um cenário de câmbio favorável ao exportador e de diversificação dos destinos da carne brasileira.
Mato Grosso do Sul tem registrado crescimento consistente no número de matrizes e touros da raça angus, especialmente nas regiões do Bolsão e do Cone Sul do estado, onde produtores vêm cruzando o rebanho tradicional zebuíno com animais da raça para agregar valor à arroba. A certificação angus exige critérios de rastreabilidade, genética e bem-estar animal, o que torna o processo mais exigente — mas também mais lucrativo para quem se qualifica.
Com frigoríficos instalados em municípios como Três Lagoas, Naviraí e Dourados habilitados à exportação para mercados premium, o produtor sul-mato-grossense tem condições logísticas de se beneficiar diretamente da alta nos embarques. A diversificação para 29 países compradores também reduz a dependência de um único destino, tornando o fluxo comercial menos vulnerável a barreiras tarifárias ou sanitárias isoladas.
O crescimento de 32% nos primeiros sete meses de 2026 já supera o desempenho anual de muitos anos anteriores, e a perspectiva do setor é de que o ritmo se mantenha ou acelere no segundo semestre — período em que a disponibilidade de gado terminado tende a aumentar nas regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil. Para os produtores de MS que ainda não aderiram ao programa de certificação, os dados divulgados na Expointer funcionam como argumento concreto para considerar a transição: o mercado global está disposto a pagar mais pela proteína rastreada e com identidade de raça.
O desafio, segundo especialistas do setor, é ampliar o número de frigoríficos habilitados ao abate certificado dentro do estado, reduzindo o custo de frete para animais que hoje precisam percorrer longas distâncias até plantas credenciadas — gargalo que, se resolvido, pode acelerar ainda mais a participação sul-mato-grossense nesse nicho de exportação.
Fontes: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANGUS, CANAL RURAL