Os contratos futuros do milho negociados nas bolsas de Chicago (CBOT) e no Brasil (B3) operaram com variações mínimas nesta terça-feira, 2 de setembro, sem sinalizar rompimento de tendência em nenhuma das duas praças — um cenário que interessa de perto aos produtores de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os principais produtores de milho safrinha do país e que colhe os últimos lotes da temporada 2025/26.
O movimento reflete um mercado ainda digerindo as realizações de lucro do pregão noturno anterior, com o cereal buscando equilíbrio diante de informações climáticas mistas nos Estados Unidos e de uma safrinha brasileira em fase final de colheita — combinação que deixa o preço sem impulso claro de alta ou de baixa no curto prazo.
Por volta das 13h08 (horário de Brasília), o vencimento de setembro/26 era cotado a US$ 5,22, com avanço de 0,75 ponto. O dezembro/26 estava estável em US$ 5,46, enquanto os contratos de maio/27 oscilavam entre US$ 5,60 e US$ 5,67, com ganhos de até 0,75 ponto. Movimentações tímidas que, na prática, mantêm o mercado andando de lado.
A analista Havy Nguyen, do Farm Futures, aponta que, após a realização de lucros da noite, os futuros receberam apoio de compras técnicas e de previsões de clima quente nas regiões produtoras americanas. "A previsão é de chuva entre 12 e 25 mm em Minnesota, Wisconsin e Michigan até sábado, enquanto as áreas do sul do Cinturão do Milho permanecerão predominantemente secas", detalhou a analista. Essa assimetria climática — chuva no norte, seca no sul da principal região produtora dos EUA — é justamente o que segura o mercado sem dar direção clara.
No mercado doméstico, a B3 registrava, às 13h21, variações igualmente contidas. O vencimento setembro/26 subia 0,30%, chegando a R$ 72,47 por saca. O janeiro/27 operava estável em R$ 81,85, ao passo que o março/27 e o maio/27 cediam levemente — o primeiro a R$ 83,84 (queda de 0,06%) e o segundo a R$ 81,90 (recuo de 0,55%).
A leve pressão nos vencimentos mais longos reflete, em parte, a expectativa de normalização da oferta com o encerramento da safrinha e o início do plantio do milho verão 2026/27 no sul do país — movimento que tende a reduzir a incerteza sobre o abastecimento nos próximos meses.
Mato Grosso do Sul é um dos estados onde a safrinha chega agora ao fim, com os últimos grãos saindo das lavouras principalmente nas regiões de Dourados, Naviraí e Maracaju. Para quem ainda tem milho para comercializar ou está negociando contratos de entrega futura, o cenário de estabilidade nas bolsas representa um momento de análise: não há urgência de venda, mas tampouco existem sinais de salto expressivo nos preços no curto prazo.
A perspectiva de clima quente nos Estados Unidos pode, ao longo das próximas semanas, pressionar a oferta americana e abrir espaço para valorização — o que favoreceria as exportações brasileiras. MS, com sua posição logística ligada ao corredor de escoamento pelo Porto de Santos e pelas ferrovias que cruzam o estado, sente diretamente qualquer movimento de demanda externa por milho. Por ora, o conselho do mercado é monitorar os boletins climáticos dos EUA e as definições de plantio no Sul do Brasil, que darão o tom das próximas semanas.
Fontes: CBOT, B3, FARM FUTURES