El Niño adia plantio da safra 26/27 e sul de MS enfrenta chuva concentrada

Meteorologista alerta que chuvas irregulares no Centro-Oeste podem empurrar semeadura para outubro; sul do estado terá excesso entre 10 e 14 de setembro

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El Niño adia plantio da safra 26/27 e sul de MS enfrenta chuva concentrada
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O El Niño deve atrasar a regularização das chuvas e, com isso, adiar o início do plantio da safra 2026/27 nas principais regiões produtoras do Brasil Central — cenário que preocupa o agronegócio de Mato Grosso do Sul, cujo faturamento projetado para 2026 é de cerca de R$ 84 bilhões. A avaliação foi publicada neste domingo (6 de setembro) pelo meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.

Enquanto uma massa de ar polar derruba as temperaturas no Sul do país neste fim de semana, o Brasil Central começa a receber chuva de forma pontual — mas sem a consistência necessária para o plantio. O alerta central de Müller é que episódios isolados de precipitação não devem ser confundidos com a chegada definitiva da estação chuvosa, especialmente em Mato Grosso e Goiás.

Plantio deve esperar até a segunda quinzena de outubro no Centro-Oeste

Em áreas de Mato Grosso, como Primavera do Leste, os modelos climáticos apontam acumulados de apenas 15 a 20 milímetros nos próximos dias — volume insuficiente para garantir umidade contínua no solo. Ao mesmo tempo, as temperaturas devem se manter entre 39°C e 40°C, tornando as condições ainda mais desfavoráveis à germinação. A projeção é de que produtores da região precisem aguardar até a segunda quinzena de outubro para iniciar a semeadura com segurança. "A tendência é de que o período chuvoso demore a se estabelecer de forma mais consistente", afirmou Müller. O risco, segundo ele, é que o produtor interprete qualquer chuva como sinal de virada climática e plante cedo demais, expondo a lavoura a veranicos. Esse cenário já vinha sendo apontado como ameaça à rentabilidade da safra 2026/27, com custos elevados e instabilidade climática pressionando as margens dos produtores.

Sul de MS terá chuva em excesso entre 10 e 14 de setembro

Para o sul de Mato Grosso do Sul, o problema é o oposto: entre os dias 10 e 14 de setembro — segunda a sexta-feira da próxima semana —, a previsão indica volumes elevados de precipitação concentrados em poucos dias. Essa concentração pode dificultar operações no campo, especialmente a finalização da colheita do algodão e do milho segunda safra, culturas que ainda estão sendo retiradas em partes do estado. A massa de ar polar que avança pelo Sul do Brasil também mantém o risco de geada em áreas produtoras do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, estados que dividem com MS a dinâmica climática da virada de estação. Em resumo, o campo sul-mato-grossense enfrenta nas próximas semanas dois desafios simultâneos: umidade excessiva no sul atrasando a colheita de verão, e incerteza sobre quando o volume de chuva no restante do estado será suficiente para iniciar o novo ciclo agrícola.

Fontes: CANAL RURAL; ARTHUR MÜLLER (METEOROLOGISTA)


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