Usinas do MS Cone Sul enfrentam semana dupla: queda de 26% no Centro-Sul e índia reduz estoques

Açúcar fechou sexta em NY estável e Londres em queda; decisão indiana de cortar limite de estoque pressiona preços e afeta exportadores brasileiros, incluindo MS

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Usinas do MS Cone Sul enfrentam semana dupla: queda de 26% no Centro-Sul e índia reduz estoques
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O mercado internacional de açúcar encerrou a sexta-feira, 4 de setembro de 2026, dividido: em Nova York, o contrato para outubro ficou estável a 18,07 cents por libra-peso, enquanto em Londres o mesmo vencimento recuou 350 pontos, fechando a US$ 523,10 por tonelada. A força que empurrou os preços para baixo veio de Nova Délhi — e chegou rápido às usinas do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, que respondem por fatia relevante da produção sucroalcooleira do Centro-Sul brasileiro.

A pressão ganhou corpo depois que o governo indiano reduziu, nesta semana, o limite máximo de estoque permitido para revendedores de açúcar: de 400 toneladas para 200 toneladas. A regra entra em vigor em 15 de setembro e permanece vigente até 20 de novembro, com o objetivo declarado de conter a especulação e ampliar a oferta no mercado interno. O raciocínio dos operadores é direto: mais açúcar circulando dentro da Índia significa menos pressão para importar — e menos demanda externa derruba cotações globais.

Índia compra menos, Brasil exporta com menos margem

O episódio tem um pano de fundo que complica ainda mais o cálculo. Em 20 de agosto, a Índia havia autorizado a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, com isenção fiscal, até o fim de outubro — sinal de que a oferta interna já estava apertada. Agora, ao cortar os estoques dos revendedores, o governo tenta resolver o problema por dentro, reduzindo a dependência da importação antes mesmo de o prazo terminar. O país é o segundo maior produtor mundial e, historicamente, também grande exportador; quando muda de posição no tabuleiro, os preços globais sentem.

Para as usinas de Mato Grosso do Sul — concentradas em municípios como Dourados, Naviraí e Maracaju —, a combinação de preços pressionados no exterior e produção menor no Brasil cria um ambiente de margens mais estreitas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou em agosto que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas — queda que reflete tanto questões climáticas quanto a preferência de algumas usinas por direcionar a cana ao etanol.

Déficit global de 200 mil toneladas sustenta o piso dos preços

O lado que segura o tombo mais fundo é o balanço mundial. Na terça-feira, 1º de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) revisou sua projeção para a safra 2026/27 e passou a estimar um déficit global de 200 mil toneladas — virando de cabeça para baixo o superávit de 1,1 milhão de toneladas previsto para 2025/26. A produção mundial projetada é de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação à temporada anterior.

Outras consultorias são ainda mais pessimistas sobre a oferta: a Green Pool projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas; a StoneX aponta saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas; e a Covrig Analytics prevê 300 mil toneladas a menos do que o consumo. Na Europa, a Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia estima queda de 19% na produção regional, para 13,4 milhões de toneladas — o menor volume em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy, pressionado por seca e temperaturas acima da média. Esse cenário de aperto estrutural é o que impede uma queda mais acentuada das cotações mesmo com a pressão indiana.

O clima também entra na equação. O Departamento Meteorológico da Índia informou nesta sexta que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 13% abaixo da média até 4 de setembro. Embora o número represente melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o Ministério de Ciências da Terra indiano alertou que a temporada atual pode ser a mais fraca em 11 anos — o que pode comprometer a próxima safra de cana do país e reabrir a discussão sobre importações já em 2027. Para os produtores sul-mato-grossenses que acompanham o humor das bolsas, o recado da semana é o de sempre: volatilidade estrutural, com piso sustentado pelo déficit e teto pressionado pela Índia.

Fontes: UNICA; ISO; GREEN POOL; STONEX; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS


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