Nova classificação global do infarto promete diagnósticos mais claros e melhor compreensão da doença

Consenso internacional substitui antigos códigos numéricos por categorias baseadas nas causas dos ataques cardíacos

Por

As principais entidades de cardiologia do mundo anunciaram uma mudança importante na forma de classificar os infartos. A chamada Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio abandona o antigo sistema baseado em números e subtipos para adotar uma classificação mais simples e centrada na origem do problema, buscando facilitar tanto o trabalho dos profissionais de saúde quanto a compreensão dos pacientes.

A atualização foi elaborada pela Sociedade Europeia de Cardiologia, pelo Colégio Americano de Cardiologia, pela Associação Americana do Coração e pela Federação Mundial do Coração. O documento será oficialmente apresentado durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, realizado em Munique, na Alemanha. 

O infarto do miocárdio, conhecido popularmente como ataque cardíaco, ocorre quando parte do músculo do coração deixa de receber sangue e oxigênio suficientes, provocando danos ao tecido cardíaco. A doença continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. 

Pela nova definição, os infartos passam a ser agrupados em três categorias principais. A primeira é o infarto primário, provocado por um problema direto em uma artéria coronária, geralmente relacionado ao rompimento de placas de gordura, formação de coágulos, espasmos ou dissecção arterial. 

A segunda categoria é o infarto secundário, que ocorre quando outras condições do organismo provocam desequilíbrio entre a oferta e a necessidade de oxigênio do coração. Situações como alterações severas da pressão arterial ou aceleração excessiva dos batimentos cardíacos podem desencadear esse tipo de evento. 

Já o terceiro grupo reúne os infartos relacionados a procedimentos médicos, registrados em até 30 dias após intervenções cardíacas, como implante de stent por cateterismo ou cirurgias de revascularização, popularmente conhecidas como ponte de safena. 

Especialistas afirmam que a principal vantagem da mudança está na comunicação. Em vez de termos pouco compreensíveis, como "infarto tipo 2" ou "tipo 4c", médicos poderão explicar de forma mais direta a causa do problema, tornando mais fácil para o paciente entender o diagnóstico e a necessidade de exames ou tratamentos complementares. 

A atualização também chama atenção para a dissecção espontânea da artéria coronária, condição que afeta principalmente mulheres e ainda é considerada subdiagnosticada. Os pesquisadores acreditam que a nova classificação poderá ampliar os estudos sobre esse e outros mecanismos menos comuns de infarto. 

Apesar da reformulação, os especialistas ressaltam que os protocolos de emergência utilizados no atendimento inicial dos pacientes não mudam. A novidade está principalmente na forma de registrar, monitorar e estudar os casos, o que pode contribuir para diagnósticos mais consistentes, estatísticas mais precisas e estratégias mais eficientes de prevenção e tratamento.


Notícias Relacionadas »