Neste sábado (22 de agosto), os 79 municípios de Mato Grosso do Sul realizam simultaneamente o Dia D da Estratégia de Multivacinação, ação voltada a crianças e adolescentes com até 14 anos, 11 meses e 29 dias que estão com o esquema vacinal incompleto ou sem registro de doses no Calendário Nacional de Vacinação. Em quatro cidades — Corumbá, Três Lagoas, Dourados e Ponta Porã — o governo estadual reforça a cobertura com o Vacimóvel, unidade móvel que leva atendimento até pontos estratégicos, incluindo aldeias indígenas em Dourados.
A mobilização faz parte de uma estratégia mais ampla que vai de 3 de agosto a 1º de setembro de 2026 e tem como meta identificar quem ficou para trás nas campanhas regulares. O cenário preocupa: doenças como sarampo e poliomielite, praticamente erradicadas no Brasil por décadas de vacinação em massa, voltam a rondar regiões com cobertura vacinal abaixo do ideal — e MS, com municípios de difícil acesso no Pantanal e na faixa de fronteira, está entre os que precisam de atenção especial.
A lógica da campanha é simples, mas exige um passo do responsável: levar a caderneta de vacinação da criança ao posto de saúde mais próximo. A equipe avalia quais doses estão faltando e aplica apenas o necessário para completar ou atualizar o esquema — não há vacinação em massa indiscriminada. O registro é feito de forma nominal nos sistemas do SUS, com identificação por CPF ou Cartão Nacional de Saúde (CNS).
As vacinas disponíveis seguem o Calendário Nacional da criança e do adolescente, acrescidas de imunizantes de estratégias específicas, conforme orientações técnicas do Ministério da Saúde. A organização dos pontos de atendimento — que podem incluir escolas, espaços públicos, unidades básicas de saúde e comunidades — é responsabilidade de cada gestão municipal, com apoio do estado nas quatro cidades contempladas com o Vacimóvel.
A presença do Vacimóvel em Corumbá e Ponta Porã não é coincidência. Municípios de fronteira enfrentam desafios específicos: fluxo constante de pessoas entre países, populações migrantes e dificuldade de rastreamento de registros vacinais entre diferentes sistemas de saúde. Em Dourados, o atendimento na aldeia amplia o alcance para comunidades indígenas, historicamente sub-representadas nas coberturas vacinais convencionais.
Em Três Lagoas, a unidade móvel reforça a capacidade instalada de um município que cresceu em ritmo acelerado nos últimos anos com a expansão do polo de celulose — e que precisa acompanhar o crescimento populacional com cobertura de saúde equivalente. O planejamento da SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde) prevê que as equipes estaduais trabalhem de forma integrada com os municípios ao longo de toda a campanha, até 1º de setembro.
A Secretaria de Estado de Saúde alerta que a queda na cobertura vacinal aumenta o risco de reintrodução de doenças já controladas. O sarampo, por exemplo, voltou a circular em surtos em países vizinhos e em estados brasileiros onde a imunização perdeu força nos últimos anos. A poliomielite, eliminada do Brasil desde 1989, exige manutenção de coberturas acima de 95% para que o vírus não encontre brechas de circulação — meta que vários municípios sul-mato-grossenses ainda não atingem de forma consistente.
Para os pais e responsáveis, a orientação é direta: verificar a caderneta antes do fim de semana e, se houver dúvida sobre qualquer dose, comparecer à unidade de saúde do bairro neste sábado. Quem não conseguir participar do Dia D ainda tem até 1º de setembro para regularizar a situação vacinal durante a estratégia. A campanha não tem custo e não exige agendamento prévio.
Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL, MINISTÉRIO DA SAÚDE