A indústria brasileira de processamento de soja planeja investir mais de R$ 7,6 bilhões no país em 2027, um salto de 33% em relação à projeção feita um ano atrás. O número é da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e aparece como reflexo direto de um movimento que interessa de perto a Mato Grosso do Sul: o avanço do biodiesel e a demanda crescente por farelo de soja no mercado interno e externo.
Para um estado que é o segundo maior produtor de soja do Brasil, atrás apenas do Mato Grosso, qualquer expansão da capacidade industrial do grão tem efeito direto na cadeia produtiva local, da logística de escoamento ao preço pago ao produtor na porteira. Usinas maiores e mais modernas significam menos dependência de transporte para portos distantes e mais competição por matéria-prima dentro do próprio estado.
O crescimento do uso de óleo de soja na produção de biodiesel, somado à demanda aquecida por farelo (usado na alimentação animal), tem levado empresas do setor a ampliar suas plantas de esmagamento no Brasil. Essa combinação de fatores é o que sustenta a previsão de investimentos bilionários da Abiove para o próximo ano.
Em Mato Grosso do Sul, o setor pecuário é consumidor direto de farelo de soja, usado como suplemento proteico em confinamentos e na produção de aves e suínos. Uma indústria de esmagamento mais robusta no Centro-Oeste tende a reduzir custos logísticos para frigoríficos e criadores que hoje dependem de farelo produzido em outras regiões ou importado de forma indireta via terceiros estados.
Mais capacidade de processamento no Brasil também significa, na prática, mais opções de destino para a soja colhida em municípios como Dourados, Maracaju, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste, polos históricos da produção de grãos no estado. Quanto maior a competição entre indústrias por matéria-prima, maior a tendência de valorização do preço pago ao produtor, especialmente em períodos de entressafra.
O movimento também reforça o apelo do biocombustível como vetor de investimento no setor, tendência que já vem sendo observada em outras frentes da produção de energia renovável no país, como mostrou reportagem recente sobre como biocombustíveis atraem investimentos e colocam o Brasil em novo ciclo de expansão energética. A expectativa do setor é que o anúncio definitivo dos projetos avance ao longo dos próximos meses, conforme as indústrias fecham seus planos de capital para 2027.