SLC Agrícola, com lavouras em MS, amplia área mesmo com custo 2,2% maior

Companhia projeta gasto de R$ 7.217 por hectare na safra 2026/2027 e aposta em mais produtividade; veja os números por cultura

Por
Kurt Hudspeth/Pexels
Kurt Hudspeth/Pexels

A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e algodão do país e com operação em Mato Grosso do Sul, vai aumentar a área plantada na safra 2026/2027 mesmo prevendo custo médio de produção 2,2% mais alto por hectare. O movimento foi informado pela companhia em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta quarta-feira, 7 de outubro de 2026.

O aumento de custo vem principalmente do fertilizante mais caro em dólar e de uma inflação projetada de 4% para o período que cobre o plantio da próxima safra. Para quem produz soja, milho e algodão em municípios da região de Chapadão do Sul, São Gabriel do Oeste e Costa Rica, polos de grãos no estado, a conta da SLC serve de termômetro para o que vem pela frente: insumo pressionando a margem, mas sem travar a decisão de plantar mais.

Quanto sobe o custo em cada cultura

Segundo a companhia, o custo médio de produção por hectare passa de R$ 7.062 para R$ 7.217, alta de 2,2% sobre o orçamento da safra 2025/2026. A maior pressão aparece no milho de segunda safra, cujo custo por hectare deve subir 3,8%, de R$ 4.346 para R$ 4.510.

Na soja, principal cultura da empresa em área plantada, o aumento é de 2,1%, saindo de R$ 5.181 para R$ 5.292 por hectare. O algodão também fica mais caro: na primeira safra, o custo vai de R$ 13.846 para R$ 14.102 (alta de 1,8%), e na segunda safra, de R$ 12.849 para R$ 13.088 (alta de 1,9%).

Dólar mais baixo segura parte da conta

A companhia aponta dois fatores que amenizam o impacto da alta nos fertilizantes: a queda no preço dos defensivos agrícolas cotados em dólar e a valorização do real frente à moeda americana. No orçamento da safra passada, a SLC trabalhava com dólar a R$ 5,45. Para o novo ciclo, a referência caiu para R$ 5,20, variação de 4,6%.

O câmbio pesa porque 57% dos custos de produção da empresa estão indexados ao dólar, e os outros 43% são em reais. Para o produtor de grãos de MS que também importa parte do pacote tecnológico (sementes, defensivos, fertilizantes), a mesma lógica cambial se aplica: dólar mais baixo ajuda a compensar o insumo mais caro em moeda estrangeira.

Mesmo com a pressão de custos, a SLC Agrícola confirma que vai ampliar a área semeada e busca ganhos de produtividade em suas principais culturas no ciclo 2026/2027, segundo o fato relevante enviado à CVM.

Para quem acompanha o ritmo da safra no estado, o avanço do plantio de milho segue mais adiantado que em 2025, enquanto a soja ainda negocia espaço entre os produtores sul-mato-grossenses. A Conab já registra 3% de área plantada de soja em MS neste início de ciclo.

Fontes: CONAB


Tags »
Notícias Relacionadas »