Biocombustíveis atraem investimentos e colocam Brasil em novo ciclo de expansão energética

Investimentos avançam sobre etanol de milho, biometano e novos combustíveis de baixo carbono; MS já é o segundo maior produtor nacional

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O setor de biocombustíveis brasileiro entrou em uma nova fase de expansão, com R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados em projetos relacionados aos combustíveis renováveis e à transição energética. O montante foi apresentado durante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética”, realizado na terceira edição do GAFFFF, em São Paulo. A movimentação acompanha a busca por fontes de menor intensidade de carbono e abre espaço para aplicações que vão além dos automóveis, alcançando aviação, transporte marítimo, máquinas agrícolas, biogás e biometano. 

Um dos motores dessa transformação é o etanol de milho. Dados apresentados no evento apontam que aproximadamente 23% do milho produzido no Brasil já é destinado à fabricação de etanol, criando uma ligação cada vez mais forte entre agricultura, indústria e geração de energia. O processamento também gera coprodutos como o DDGS, utilizado principalmente na alimentação animal, permitindo que a mesma matéria-prima abasteça as cadeias de combustíveis e proteína animal. A produção brasileira de etanol de milho deve alcançar 11,8 bilhões de litros na safra 2026/2027, crescimento projetado de 14,6% diante dos 10,3 bilhões de litros da temporada anterior. O país possui 33 unidades produtoras, entre plantas exclusivas de milho e indústrias flex. 

Nesse cenário, Mato Grosso do Sul ocupa posição estratégica. O Estado produziu 2,128 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2025/2026, crescimento de 33,9% sobre o ciclo anterior. O volume representou 20,92% da produção nacional, colocando MS como o segundo maior produtor brasileiro, atrás apenas de Mato Grosso. O Estado conta atualmente com unidades em operação da Inpasa, em Dourados e Sidrolândia, e da Neomille, em Maracaju, enquanto outros projetos ampliam a capacidade industrial. Em pouco mais de quatro safras, Mato Grosso do Sul saiu de nenhuma unidade de etanol de milho em funcionamento para três plantas operacionais e uma cadeia industrial em franca expansão. 

O avanço da bioenergia também cria uma alternativa para agregar valor à produção agrícola sul-mato-grossense. Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul produziu 13,9 milhões de toneladas de milho em mais de 2 milhões de hectares, enquanto aproximadamente 2 milhões de toneladas foram destinadas à exportação. Com a instalação das biorrefinarias, parte crescente do cereal pode ser processada dentro do próprio Estado. Entre os projetos previstos está a estrutura híbrida da Atvos em Nova Alvorada do Sul, planejada para processar cerca de 642 mil toneladas de milho por ano e acrescentar aproximadamente 273 milhões de litros de etanol à capacidade da unidade, além da fabricação de DDG e óleo de milho. 

A perspectiva para os próximos anos é de diversificação ainda maior dos biocombustíveis brasileiros. O setor busca oportunidades no combustível sustentável de aviação, transporte marítimo e biometano, reduzindo a dependência exclusiva do mercado automobilístico. Somente no transporte marítimo, estimativas apresentadas pela Datagro apontam que o etanol poderia alcançar um mercado potencial de 50 bilhões de litros até 2050. Com uma cadeia agrícola já consolidada e novas biorrefinarias em implantação, Mato Grosso do Sul está diretamente inserido nesse movimento nacional, transformando parte da produção de grãos em combustível, coprodutos para alimentação animal, óleo e energia e consolidando a bioenergia como uma nova frente de industrialização do agronegócio estadual. 


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