A VLI, operadora que administra trechos ferroviários usados pelo agronegócio de Mato Grosso do Sul para escoar produção até os portos do Sudeste, começou em setembro de 2026 a transportar sorgo destinado à exportação. O primeiro carregamento pelo sistema integrado saiu do Porto de Tubarão, no Espírito Santo, com destino à China, e abre uma nova frente de negócio para um grão que vem ganhando espaço nas lavouras de segunda safra no estado.
O movimento interessa diretamente ao produtor sul-mato-grossense porque o sorgo tem crescido como opção de cultivo depois da colheita da soja, sobretudo em regiões com restrição hídrica para o milho safrinha. Ter um canal ferroviário dedicado ao grão, com saída organizada para portos como Santos e Tubarão, reduz a dependência do caminhão em trechos longos e pode baratear o frete até o litoral, item que pesa no bolso de quem planta em municípios distantes da costa, caso de boa parte do Cone Sul e do Bolsão de MS.
Segundo a VLI, a movimentação segue dois fluxos principais pela Ferrovia Centro-Atlântica. Um parte de Araguari, em Minas Gerais, rumo ao Espírito Santo, pelo chamado Corredor Leste. O outro sai de Uberaba, também em Minas Gerais, com destino ao Porto de Santos, em São Paulo, pelo Corredor Sudeste. Até setembro, a companhia já havia embarcado mais de 250 mil toneladas de sorgo, sendo 90 mil toneladas via Santos e mais de 160 mil toneladas pelo Porto de Tubarão, ambas com destino à China.
A operação ganhou um terceiro braço em setembro, o Corredor Norte, que passou a atender a região do Matopiba, reunindo áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O primeiro embarque dessa frente seguiu para o Porto do Itaqui, em São Luís. Com os três corredores funcionando, a empresa passa a tratar o sorgo como parte da estrutura ferroviária permanente voltada ao mercado externo, e não mais como carga eventual.
A companhia estima transportar mais de 800 mil toneladas do grão até o fim de 2026, volume mais de três vezes maior do que o já movimentado até setembro. Para outubro, a previsão é de novos embarques com destino ao Norte da África e, mais uma vez, à China, mercado que já concentra praticamente toda a carga exportada até agora, segundo dados divulgados pela própria VLI e repercutidos pelo Canal Rural.
Para o produtor de MS, o recado prático está na sinalização de demanda: quanto mais consolidado o canal de exportação, maior a chance de o sorgo virar opção de peso no planejamento de safra, ao lado da soja e do milho, cultura que já tem tradição nas lavouras do estado.