Deeptech de Paranaíba cria repelente que atinge 95% de eficácia contra mosca-dos-chifres

Produto da UFMS combina óleos naturais e nanotecnologia e ficou em sexto lugar no Desafio Pantanal Tech 2026; praga tira quase 21 kg de peso do boi

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Freek Wolsink/Pexels
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Uma equipe ligada ao campus da UFMS em Paranaíba desenvolveu um produto que promete mudar a forma como o pecuarista sul-mato-grossense enfrenta a mosca-dos-chifres. Batizado de Nanofly, o repelente usa nanotecnologia para proteger compostos naturais extraídos de óleos, prolongando o tempo em que eles continuam agindo contra o inseto no pasto. Em testes de laboratório, o produto chegou a 95% de eficácia no controle da praga.

O projeto nasceu dentro da MTD Soluções Naturais, deeptech formada por pesquisadores da universidade, e já emplacou sua primeira conquista fora dos laboratórios: a sexta colocação no Desafio Pantanal Tech de Inovação 2026. Para um negócio que nasceu há pouco tempo e tem sede numa cidade do interior do estado, o resultado tem peso simbólico. "Somos a primeira deeptech de Paranaíba e estamos figurando entre as melhores do Estado", diz Marco Aurelio de Lara, técnico de laboratório e um dos sócios da empresa.

Prejuízo que aparece na balança do boi

A mosca-dos-chifres não é só um incômodo para o gado: ela compromete a engorda. Um levantamento da Embrapa Gado de Corte, unidade de Campo Grande, divulgado em 2024, apontou que bezerros da raça Nelore tratados continuamente contra o inseto ganharam 20,8 quilos a mais entre o desmame e a idade de abate, na comparação com animais sem nenhum tipo de controle. Em um estado que vive da pecuária de corte, essa diferença se traduz diretamente em receita a mais ou a menos por cabeça vendida.

Foi justamente esse tipo de perda que moveu o grupo a transformar pesquisa acadêmica em produto comercial. A equipe reúne o professor de Medicina Veterinária Dyego Gonçalves Lino Borges, os técnicos Marco Aurelio de Lara e Tamiris Aparecida dos Santos Silva, e a estudante Tainara Costa da Silva. "A MTD surge a partir de uma visão minha, do Dyego e da nossa sócia Tamiris, a partir de uma inquietude: produzir ciência que atenda à sociedade", afirma Marco.

Nanotecnologia ataca o calcanhar de aquiles dos biológicos

O principal obstáculo enfrentado por repelentes de origem natural sempre foi a durabilidade: eles perdem força rápido demais quando expostos ao sol, à chuva e ao calor do campo. É nesse ponto que entra a nanotecnologia aplicada pela equipe de Paranaíba, que encapsula os compostos dos óleos para que resistam mais tempo nas condições reais de uso no pasto.

"Os produtos biológicos, de modo geral, ainda sofrem com a descrença de alguns produtores, não pela baixa eficácia, mas pelo tempo disponível a campo. A nanotecnologia vem suprir essa demanda, aumentando a eficácia e trazendo maior segurança ao meio ambiente, aos animais e às pessoas", explica Marco. Segundo ele, o ganho não é só agronômico: um produto que dura mais no campo também reduz a necessidade de reaplicação de defensivos sintéticos, o que diminui a exposição de quem trabalha diretamente com os animais.

Com os resultados in vitro já validados, a próxima etapa da MTD é testar a estabilidade do Nanofly em condições reais de pasto, buscando confirmar se o ganho de durabilidade se mantém fora do laboratório. "Agora, com a nanotecnologia, buscaremos garantir que esse produto se mantenha por mais tempo a campo, reduzindo gastos e aumentando a produtividade", projeta o pesquisador.

Fontes: UFMS; EMBRAPA GADO DE CORTE


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