Arroba do boi sobe em MS enquanto Mato Grosso escapa da alta

Escalas de abate apertadas empurram preço da arroba no país; consultoria explica por que frigoríficos pequenos sentem mais o aperto

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Arroba do boi sobe em MS enquanto Mato Grosso escapa da alta
U.S. Department of Agriculture/rawpixel (domínio público)

A semana termina com o boi gordo mais caro no mercado físico brasileiro, puxado pelo aperto nas escalas de abate que já se arrasta há dias em praças produtoras como Mato Grosso do Sul. A exceção fica por conta de Mato Grosso, onde a oferta de animais prontos para o abate segue em ritmo mais tranquilo, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado divulgado nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026.

O movimento não é uma novidade isolada de hoje: o encurtamento das escalas vem se acumulando há semanas e já havia pressionado a arroba em pregões anteriores. O que muda agora é a leitura do mercado sobre até quando essa pressão deve durar, com analistas apontando frigoríficos de pequeno e médio porte como os mais expostos à falta de animais nas próximas rodadas de negociação.

Frigoríficos pequenos sofrem mais para fechar a escala

Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, as indústrias de menor porte enfrentam dificuldade maior para completar suas programações de abate, cenário que não se repete entre os grandes players do setor. "As grandes indústrias ainda trabalham em uma posição mais confortável, amparadas por animais provenientes de contratos de parceria e pela utilização de confinamentos próprios", explica Iglesias. Para produtores de MS que negociam com frigoríficos regionais menores, esse desequilíbrio tende a se traduzir em mais poder de barganha na hora de fechar lotes.

Mesmo com a alta recente da arroba no mercado físico, os contratos futuros negociados na B3 seguem com prêmio relevante em relação ao preço à vista, o que sinaliza que o mercado ainda projeta espaço para novos reajustes. Iglesias avalia que os patamares atuais da bolsa continuam atrativos para quem busca proteção de margem via hedge, dado o ambiente de volatilidade que marca o setor desde o início do mês.

Carne no atacado sobe, mas frango ainda pesa na concorrência

O mercado atacadista de carne bovina também fechou a semana com preços mais altos. A proximidade da virada do mês, segundo o analista, tende a estimular a reposição de estoques entre atacado e varejo, o que pode sustentar novos reajustes nos próximos dias. Ainda assim, a carne bovina segue perdendo competitividade frente a proteínas concorrentes, como a carne de frango, fator que pode conter a intensidade da alta nas próximas semanas, especialmente em praças como Campo Grande e Dourados, polos relevantes de consumo e processamento no estado.

No câmbio, o dólar comercial fechou a sessão desta sexta-feira em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,1847 na venda e R$ 5,1827 na compra, depois de oscilar entre R$ 5,1732 e R$ 5,2137 ao longo do pregão. Na semana, a moeda americana acumulou alta de 0,72% frente ao real, movimento que interessa diretamente a frigoríficos exportadores instalados em Mato Grosso do Sul, já que um dólar mais valorizado favorece a receita em reais das vendas de carne ao exterior.

Fontes: SAFRAS & MERCADO; CANAL RURAL


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