Santa Casa de CG: 4 crianças esperam por cirurgia cardíaca sem previsão de retorno

Único hospital de referência em cardiologia pediátrica de MS suspendeu procedimentos após perder os dois únicos cirurgiões da especialidade; repasse de R$ 4 mi ainda não chegou.

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Santa Casa de CG: 4 crianças esperam por cirurgia cardíaca sem previsão de retorno
Divulgação

Quatro crianças aguardam na Santa Casa de Campo Grande por cirurgias cardíacas que não têm data para acontecer. O hospital, única referência em cardiologia pediátrica de Mato Grosso do Sul, suspendeu os procedimentos no início de setembro depois de perder simultaneamente os dois únicos profissionais da especialidade: um cirurgião está afastado por problema grave de saúde e a outra cirurgiã pediu rescisão do contrato.

A paralisação foi comunicada oficialmente à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) por meio do Ofício nº 280/2026, enviado em 3 de setembro de 2026. O hospital justifica que a cardiologia pediátrica é uma especialidade de altíssima complexidade, com pouquíssimos profissionais disponíveis no mercado, o que, segundo a instituição, "impede a recomposição imediata da equipe".

Crianças acompanhadas, mas sem data para operar

A Santa Casa garante que as quatro crianças que aguardam procedimento continuam sendo atendidas no hospital — passando por consultas e exames — mas sem previsão de quando as cirurgias serão realizadas. Em nota, a instituição afirmou que "a suspensão não significa interrupção da assistência às crianças, mas uma medida responsável e necessária para preservar a segurança dos pacientes", acrescentando que segue em diálogo com os gestores do SUS para recompor a equipe.

A crise que levou ao fechamento da ala cirúrgica tem raízes financeiras. Um grupo de médicos da Santa Casa se desligou da instituição após quatro meses de salários atrasados, esvaziando de vez o setor de cirurgia cardíaca pediátrica. Além do rombo com pessoal, o hospital denuncia desequilíbrio econômico-financeiro no contrato com o poder público — mesmo com os repasses em dia — e alerta que a situação compromete a compra de medicamentos, insumos e materiais.

Repasse de R$ 4 milhões prometido, mas ainda não liberado

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, afirmou na terça-feira, 8 de setembro, que o aporte emergencial de R$ 4 milhões será liberado em até 15 dias — R$ 3 milhões pelo Governo do Estado e R$ 1 milhão pela Prefeitura de Campo Grande. O dinheiro, segundo Vilela, será destinado à compra de insumos para evitar que outros serviços sejam afetados. O próprio hospital, porém, confirmou que o valor ainda não foi depositado até a publicação desta matéria.

A Santa Casa já havia suspendido cirurgias e negociado aportes emergenciais anteriormente em meio à crise financeira, e o Ministério Público chegou a acionar a Justiça com multa de R$ 100 mil por dia para garantir o funcionamento do hospital. Enquanto a negociação avança, quatro famílias em Campo Grande esperam por uma cirurgia no coração dos seus filhos sem saber quando o centro cirúrgico vai reabrir.

Fontes: SANTA CASA DE CAMPO GRANDE; SESAU CAMPO GRANDE; MIDIAMAX


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