A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) anunciou nesta quinta-feira, 3 de setembro, um repasse emergencial de R$ 4 milhões para a Santa Casa de Campo Grande, depois que o hospital comunicou a suspensão de cirurgias eletivas e procedimentos ambulatoriais por falta de insumos e problemas na composição das equipes médicas. O dinheiro será usado exclusivamente para aquisição de insumos e só será liberado após a assinatura de um termo aditivo, prevista para os próximos dias.
A decisão foi tomada em reunião que reuniu representantes da Sesau, da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e da própria Santa Casa — um encontro que reflete a gravidade da situação: é a segunda vez em pouco tempo que o hospital reduz a oferta de serviços ao SUS em Campo Grande, cidade com mais de 900 mil habitantes e que depende da instituição para parte significativa da atenção especializada pública.
Além do repasse financeiro, Sesau e SES criaram uma força-tarefa com reuniões técnicas diárias para monitorar a situação em tempo real. O grupo vai mapear leitos disponíveis, serviços que o hospital ainda consegue manter, recursos existentes e as demandas mais urgentes dos pacientes. Também está na pauta a possibilidade de transferir ou contratar serviços em outras unidades da rede SUS enquanto a Santa Casa não resolve as pendências internas. "Em uma situação como essa, nossa prioridade é proteger o usuário do SUS. Estamos trabalhando de forma integrada, com diálogo, planejamento e responsabilidade, para encontrar soluções que garantam a continuidade da assistência", afirmou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela.
O superintendente de Atenção Especializada e Urgência à Saúde, Yama Higa, reconheceu os limites da operação: "Precisamos avançar dentro dos recursos disponíveis, avaliando o que pode ser reorganizado e quais medidas podem produzir maior impacto na assistência". Enquanto as negociações avançam, a Santa Casa mantém abertos apenas os atendimentos de urgência e emergência.
Para evitar que pacientes fiquem sem atendimento, a Sesau já iniciou contato com outros hospitais conveniados ao SUS para avaliar a ampliação temporária de vagas e capacidade de atendimento. A medida é considerada paliativa — uma solução de curto prazo enquanto a Santa Casa tenta equacionar a crise de insumos e a falta de profissionais em determinadas especialidades. A situação da Santa Casa já havia mobilizado o Ministério Público, que acionou a Justiça com multa de até R$ 100 mil por dia em episódio anterior de redução de serviços.
O prazo para a formalização do repasse depende da assinatura do termo aditivo entre as partes. Até lá, a rede municipal de saúde segue em estado de alerta para absorver possíveis demandas extras dos pacientes que não conseguirem atendimento eletivo na Santa Casa.
Fontes: SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPO GRANDE (SESAU); A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE