A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul instituiu, em resolução publicada no Diário Oficial do Estado em 1º de setembro de 2026 (terça-feira), um colegiado permanente dedicado exclusivamente a planejar e coordenar a resposta do sistema público de saúde diante de eventos climáticos extremos — de secas e ondas de calor a incêndios florestais, enchentes e frios intensos.
O ato formaliza o que especialistas em saúde pública já defendiam há anos: tirar a resposta às emergências climáticas do improviso e construir uma estrutura técnica capaz de agir antes, durante e depois do desastre. Em um estado que convive simultaneamente com o Pantanal em chamas no inverno e com inundações no verão, a iniciativa responde a um ciclo de pressões que se repete com intensidade crescente.
Batizado de Grupo Condutor Estadual de Preparação e Resposta aos Eventos Climáticos Extremos e seus Impactos à Saúde, o colegiado tem caráter técnico, estratégico, intersetorial e interinstitucional. Na prática, isso significa que vigilância epidemiológica, assistência farmacêutica, regulação, laboratório, gestão e comunicação de risco vão trabalhar de forma integrada, em vez de cada área reagir por conta própria quando a situação já escapou do controle.
Entre as atribuições centrais está a elaboração e atualização do Plano Estadual de Preparação e Resposta do Setor Saúde aos Eventos Climáticos Extremos, documento que deverá mapear municípios e regiões prioritárias, definir níveis de alerta e estabelecer procedimentos claros de resposta. O grupo também ficará responsável por acompanhar alertas meteorológicos, ambientais e epidemiológicos, produzir cenários de risco e propor medidas emergenciais quando identificar ameaça à saúde pública. A comunicação com gestores, profissionais de saúde e população — por meio de alertas, notas técnicas e protocolos — integra a rotina do colegiado.
A resolução enumera nove tipos de eventos monitorados: seca, estiagem, ondas de calor, incêndios florestais, baixa umidade do ar, chuvas intensas, alagamentos, inundações e frio extremo. Para cada um desses cenários, o texto lista agravos sanitários associados — doenças ligadas ao calor e ao frio, problemas respiratórios, enfermidades transmitidas por vetores, doenças de transmissão hídrica e alimentar, intoxicações, acidentes e exposição à fumaça.
O documento cita ainda preocupação com a qualidade e a disponibilidade de água para consumo humano — tema sensível em municípios pantaneiros que dependem de mananciais vulneráveis à seca. Fenômenos como El Niño e La Niña são explicitamente mencionados como fatores de pressão sobre os padrões de temperatura e chuva no estado.
A resolução identifica os grupos que concentrarão atenção prioritária: crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores em exposição, povos indígenas, comunidades tradicionais, população rural e moradores de áreas suscetíveis a desastres. O recorte reconhece que o clima não atinge a todos da mesma forma — e que a desigualdade de exposição ao risco é, em si, um problema de saúde pública.
Para garantir capacidade de resposta, o grupo deverá monitorar continuamente a disponibilidade de medicamentos, vacinas, soros, insumos, equipamentos e recursos laboratoriais na rede estadual. A lógica é simples: quando a fumaça chega ou a enchente avança, não há tempo para buscar o que deveria estar estocado. As ações seguirão o ciclo completo da gestão de riscos — prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação —, garantindo que o papel do grupo não se encerre com o fim do evento climático.
Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL; RCN67