Saturação de 80 para 95: assentado de Ribas do Rio Pardo larga cigarro com ajuda do Senar/MS

Heliton Rodrigues fumava desde os 11 anos e parou após 20 anos com o acompanhamento do programa Saúde no Campo; entenda como funciona o atendimento nas propriedades rurais de MS

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Saturação de 80 para 95: assentado de Ribas do Rio Pardo larga cigarro com ajuda do Senar/MS
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Um produtor rural do Assentamento Nossa Senhora das Graças, em Ribas do Rio Pardo, largou o cigarro após mais de duas décadas de hábito com o apoio do programa Saúde no Campo, do Senar/MS. Heliton Rodrigues dos Santos começou a fumar aos 11 anos — por solidariedade, de certo modo — e só conseguiu parar quando uma enfermeira do programa percebeu que sua saturação de oxigênio estava perigosamente baixa e passou a acompanhá-lo de perto nas visitas à propriedade.

A história é emblemática do alcance que o Saúde no Campo tem em municípios do interior de MS, onde a distância dos centros urbanos dificulta o acesso à rede pública de saúde. Ribas do Rio Pardo fica a pouco mais de 100 km de Campo Grande, mas para quem mora em assentamento, chegar a um posto de saúde ou a um psicólogo exige deslocamento, tempo e custo — barreiras que o programa leva até a porteira.

A bituca como evidência: como a enfermeira convenceu o produtor

Foi a enfermeira Tathiana Teixeira quem identificou o problema durante as visitas regulares à propriedade. A saturação de oxigênio de Heliton marcava 80 — índice que já indica sofrimento pulmonar sério —, e ele próprio não sabia exatamente quantos cigarros fumava por dia. Tathiana encontrou uma solução prática: contar as bitucas deixadas no terreiro. "Eu começava a contar as bitucas. Eu falava para ele: 'você fumou quantos cigarros hoje?'. Ele falava que não sabia e eu dizia: 'eu sei, 15. Tem 15 bitucas aqui'", contou a enfermeira.

A contagem virou rotina e, com ela, Heliton passou a perceber o próprio consumo de um jeito concreto. Com o incentivo dos atendimentos, ele buscou a rede pública de saúde e iniciou tratamento formal para o tabagismo — com medicação, adesivos e acompanhamento psicológico. A decisão definitiva veio quando ele próprio se questionou sobre a contradição de estar no programa e não parar. "Procurei o programa para parar de fumar, estou tomando a medicação, estou passando pelo psicólogo — e por que eu não paro? Aí falei: a partir de hoje, não vou fumar mais", relatou.

Saturação de 80 para 95: o que mudou na saúde do produtor

Os efeitos foram rápidos e mensuráveis. A saturação de Heliton, que chegava a 80 no início do acompanhamento, passou a ficar entre 94 e 95 — faixa considerada normal para adultos saudáveis. "Não tive mais problemas de respiração. Não tive mais problema nenhum. É muito bom", disse ele. As bitucas que Tathiana contava desapareceram da propriedade, e o que antes era método de controle virou motivo de comemoração: "Agora eu quero que você cace a bituca. Vê se acha alguma. Agora não tem mais bituca para você contar", brincou Heliton com a enfermeira.

O produtor resume a nova fase com objetividade: "Hoje é só saúde. Hoje minha casa é um exemplo. Não tem bebida, não tem cigarro." Ele também destaca que a relação com a equipe do Saúde no Campo vai além das visitas agendadas: "Se a gente tem um problema, pode ligar, mandar uma mensagem, ela tira dúvida, ela ajuda. Eu vejo o Senar muito importante na parte rural do nosso município." O caso de Heliton integra a série Transformando Vidas, do Sistema Famasul, que documenta histórias de impacto do programa em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul.

Fontes: SISTEMA FAMASUL; SENAR/MS


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