Campo Grande acolhe gestantes com rodas de conversa no Setembro Amarelo

Servidoras grávidas da Sesau participaram de encontro com musicoterapeuta, psicóloga e relatos reais sobre saúde emocional na gravidez; veja como funciona o suporte disponível.

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Campo Grande acolhe gestantes com rodas de conversa no Setembro Amarelo
Divulgação

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) reuniu gestantes e seus acompanhantes em um encontro sobre saúde emocional na gravidez nesta quinta-feira (4 de setembro de 2026), como parte das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio e à valorização da vida. O evento, organizado pela Gerência de Saúde do Servidor (Gersau), aconteceu na sede da Sesau e foi batizado de "Gersau Delas: Falar é cuidar. Acolher é salvar. Nenhuma mãe deveria viver esse começo sozinha".

A iniciativa parte de um entendimento cada vez mais presente na saúde pública: a gestação concentra transformações físicas, emocionais e familiares intensas que, sem rede de apoio, podem evoluir para quadros de sofrimento psíquico grave. Segundo dados do Ministério da Saúde, transtornos mentais perinatais afetam entre 10% e 20% das gestantes brasileiras, e a maioria não recebe acompanhamento adequado. Em Campo Grande, a Gersau oferece atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito aos servidores municipais — um suporte que, segundo os próprios profissionais do setor, vai além do ambiente de trabalho.

Música, paternidade e o peso do silêncio

A programação reuniu profissionais de diferentes formações. A musicoterapeuta Mônica Zimpel usou as cantigas de ninar para ilustrar como gestos simples constroem vínculos afetivos antes mesmo do nascimento. "A nossa mente prefere a música do que a dor. Se você canta com frequência, o bebê vai se lembrar quando nascer. Naqueles momentos de desconforto, se você cantar, automaticamente ele para de chorar", explicou ao grupo.

O encontro também incluiu um relato sobre paternidade. Crystoffer Oliveira, técnico em edificações e pai de dois filhos, descreveu como só dimensionou plenamente a mudança que a chegada de um filho representa no momento em que segurou a filha no colo. A síntese que deixou às gestantes foi direta: "Só esteja presente". Já a enfermeira Esthefani Uchôa, da Gersau, tocou em um ponto que raramente aparece nas consultas de pré-natal: a dificuldade de admitir que não se está bem. "Às vezes, a gente precisa simplesmente dizer: eu não estou bem", afirmou, reforçando que buscar ajuda é, em si, um ato de cuidado. "A vida reflete diretamente no trabalho", completou.

Histórias reais que mostram por que o acolhimento importa

Carla Caroline Borges, de 34 anos e com 10 semanas de gestação, chegou ao encontro carregando uma história pouco comum: mãe de um adolescente de 14 anos, ela acreditava estar em menopausa precoce quando descobriu que esperava gêmeos. "São crianças muito amadas e esperadas, mas foi uma surpresa bem grande", contou. Para ela, um dos pontos mais delicados é a expectativa alheia: "Não é porque você queria engravidar ou ama, que o processo será fácil".

Cibele Eunice da Cruz, de 40 anos e com 26 semanas de gestação não planejada, disse que o evento foi "um bálsamo" diante das inseguranças sobre idade, ansiedade e rede de apoio. A psicóloga Raquel Almirão encerrou com uma orientação prática: "A mulher precisa se sentir no direito de estabelecer limites", especialmente quando comportamentos ao redor aumentam a sobrecarga emocional. Para quem precisar de suporte, a Gersau atende pelos telefones (67) 98472-5397 e 2020-1668. Em situações de sofrimento intenso, o CVV funciona 24 horas pelo número 188, ou emergência pelo 190.

Fontes: SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPO GRANDE (SESAU); CGNOTICIAS


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