A Casas Bahia anunciou o ingresso com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo como parte de um processo de reestruturação financeira. A medida envolve a companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, preservando a continuidade das atividades e evitando impactos mais graves sobre a operação.
Segundo comunicado da empresa, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial.
A companhia atribui a necessidade da medida à combinação de fatores econômicos adversos, como juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e enfraquecimento do consumo. De acordo com a varejista, esse cenário reduziu sua capacidade de geração de caixa e dificultou a obtenção de novos recursos para reforçar sua estrutura financeira.
Apesar da recuperação judicial, a empresa informou que suas lojas físicas, plataforma de comércio eletrônico e demais canais de venda continuarão funcionando normalmente, sem interrupções relevantes para os consumidores.
Nova etapa da reestruturação
Esta não é a primeira tentativa da companhia de reorganizar suas finanças. Em 2024, a Casas Bahia realizou uma recuperação extrajudicial, renegociando cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na ocasião, a empresa apostava na redução dos custos financeiros e na retomada do consumo para equilibrar suas contas, mas o cenário econômico continuou pressionando os resultados.
Segundo a administração, a recuperação judicial integra a segunda fase do Plano de Transformação iniciado em 2023. Como parte dessa estratégia, a varejista fechou 298 lojas de baixa rentabilidade, reduziu estoques, cortou despesas operacionais e direcionou investimentos para áreas consideradas mais eficientes e lucrativas.
Prejuízo bilionário antecedeu anúncio
O pedido foi divulgado um dia após a apresentação do balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026. A empresa registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Desse total, cerca de R$ 9,1 bilhões estão relacionados a ajustes contábeis extraordinários e despesas associadas ao processo de reestruturação, sem impacto imediato sobre o caixa.
Mesmo diante do resultado negativo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, alcançando R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet avançaram 15,3%, totalizando R$ 2,8 bilhões no período.
A companhia também informou que conseguiu ampliar a geração de caixa, reduzir a dívida líquida e alongar os prazos de vencimento de parte dos financiamentos, diminuindo a pressão financeira de curto prazo.
Empresas incluídas no pedido
Além da Casas Bahia, a recuperação judicial abrange outras empresas do grupo, entre elas a Bartira, tradicional fabricante de móveis, a Cnova Comércio Eletrônico e companhias ligadas às áreas de logística, tecnologia e varejo digital.
A empresa informou ainda mudanças em sua alta administração, incluindo alterações no departamento jurídico e nos comitês de governança, como parte do processo de reorganização corporativa.