Selic cai a 14%, mas Copom cala sobre próximos cortes e derruba bolsa

Ibovespa encerrou a quinta-feira com queda de 1,23%, abaixo dos 176 mil pontos, após BC recusar sinalização sobre o ritmo futuro da política monetária.

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Selic cai a 14%, mas Copom cala sobre próximos cortes e derruba bolsa
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O mercado acionário brasileiro fechou em território negativo nesta quinta-feira, 6 de agosto, após o Banco Central surpreender investidores não pelo que fez — reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano — mas pelo que se recusou a dizer: não há nenhuma sinalização sobre os próximos passos. O Ibovespa recuou 1,23%, encerrando o pregão aos 175.546 pontos, próximo à mínima do dia, em uma sessão que também foi marcada por uma enxurrada de balanços corporativos.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), tomada na véspera, cortou a taxa básica de juros, mas trouxe uma linguagem que deixou o mercado financeiro em alerta. O BC descreveu o cenário atual como "caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base", argumentando que a condução da política monetária exige serenidade e cautela. Para os investidores, essa redação equivale a dizer que novos cortes não estão garantidos.

Juros altos por mais tempo: o sinal que o mercado não queria receber

A estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, traduziu a mensagem do Copom de forma direta: o comitê adotou um tom duro ao avaliar o processo de controle da inflação e preferiu não se comprometer com novos cortes nas reuniões seguintes. "Essa cautela sinaliza que os juros no Brasil devem permanecer em patamares elevados por mais tempo", afirmou a estrategista. O recado é relevante para empresas e consumidores de todo o país — incluindo Mato Grosso do Sul, onde o crédito mais caro afeta diretamente o agronegócio, o varejo e a construção civil.

No exterior, o clima era de pausa. O S&P 500, principal referência do mercado norte-americano, fechou com leve queda de 0,18% após uma semana de alta, enquanto investidores acompanhavam os resultados corporativos e as negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã.

Balanços movimentam as ações: de Bradesco a SmartFit

O dia foi intenso no noticiário corporativo. O Bradesco PN recuou 1,94% mesmo após registrar lucro de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,2% em linha com as estimativas, mas o banco sinalizou desaceleração no crédito na segunda metade do ano. O destaque negativo do setor bancário ficou com o Banco do Brasil ON, que despencou 3,66%. Já a Petrobras PN avançou 0,48% — a primeira alta após três quedas seguidas —, com investidores aguardando o balanço da estatal, divulgado após o fechamento do pregão, enquanto o barril de petróleo Brent subia 3,83%.

A SmartFit ON foi uma das maiores perdedoras do dia, com recuo de 7,82% depois de entregar um resultado trimestral abaixo das expectativas: lucro líquido recorrente de R$ 204 milhões e receita líquida com alta de 22%, aquém do que o mercado projetava. Do lado positivo, a Braskem PNA subiu 3,07%, dias após marcar mínima histórica intradia desde 2010. O Mercado Livre, com ações listadas nos EUA, caiu 4,81% apesar de lucro de US$ 466 milhões e receita de US$ 10,2 bilhões — crescimento de 50% em quatro anos —, porque analistas do Citi apontaram frustração com a margem bruta de 40,9%.

O que o ambiente de juros altos significa para Mato Grosso do Sul

Para o empresário e produtor rural sul-mato-grossense, a mensagem do Copom tem efeito prático imediato: o custo do dinheiro permanece alto, e o alívio esperado nas taxas de financiamento rural, imobiliário e para capital de giro pode demorar mais do que o previsto. Com a Selic a 14%, o crédito para investimento no campo — setor que responde por parcela significativa do PIB estadual — segue pressionado, e a expectativa de queda mais rápida dos juros, que vinha animando projeções para o segundo semestre, perdeu força.

O próximo capítulo desta história dependerá dos dados de inflação e atividade econômica que o BC acompanhará antes das próximas reuniões do Copom. Por enquanto, o mercado opera no escuro — sem guia, sem promessa e, como mostrou o pregão desta quinta, com menos otimismo do que há 24 horas.

Fontes: REUTERS, BANCO CENTRAL DO BRASIL


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