O Ministério da Fazenda reduziu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, a projeção oficial do IPCA para 4,9% ao final do ano — 0,2 ponto percentual abaixo da estimativa anterior, de 5,1%. O dado consta no Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete um comportamento dos preços até julho ligeiramente mais benigno do que o esperado, sobretudo em alimentação no domicílio. Mesmo assim, a inflação projetada segue acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5% — o que significa que o ano já começa a ser matematicamente enquadrado como de descumprimento da meta.
A revisão é modesta, mas carrega sinais contraditórios que interessam de perto ao produtor rural e ao consumidor de Mato Grosso do Sul. De um lado, a Selic em patamar contracionista e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre puxam os preços para baixo. De outro, dois fatores externos mantêm o cenário em aberto: o El Niño e o custo do petróleo.
Entre julho e setembro, a cotação média do barril projetada pela SPE para 2026 saltou de US$ 79,16 para US$ 87,70 — alta de 10,8% em dois meses, puxada pela intensificação do conflito no Oriente Médio. Para o agronegócio de MS, que depende do diesel para colheita, transporte e irrigação, essa variação se traduz diretamente em custo operacional. O frete de soja de Campo Grande até o porto de Santos é um dos mais sensíveis a oscilações no preço do combustível no país.
A SPE informou ainda que sua projeção de 4,9% não incorpora as medidas recentes de alívio nos combustíveis anunciadas pelo governo federal — corte de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina e zeragem das mesmas contribuições sobre o etanol hidratado. Se incluídas no cálculo, essas desonerações têm potencial de reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto porcentual, segundo a própria Fazenda. Ou seja, o índice real pode acabar um pouco abaixo de 4,9% — mas ainda longe do teto.
O alerta mais relevante para o agronegócio de MS está na projeção de 2027, revisada de 3,6% para 3,8%. A SPE atribuiu a piora ao El Niño, que deve pressionar os preços dos alimentos in natura ainda neste ano — com efeitos mais concentrados na próxima safra. Além disso, a secretaria apontou risco de alta nas carnes com a possível reversão do ciclo pecuário e maior retenção de fêmeas, dinâmica que afeta diretamente produtores com grandes áreas em MS.
Para os índices complementares, o INPC de 2026 foi revisado de 5,3% para 5,1% — o INPC mede a inflação para famílias de baixa renda e é o índice mais sensível ao preço de alimentos e serviços básicos, itens que pesam mais no orçamento de moradores de cidades como Dourados, Corumbá e Três Lagoas. O IGP-DI de 2026 caiu de 5,6% para 5,0%. Para 2028 em diante, a Fazenda mantém a projeção de inflação em 3,0% ao ano.
Fontes: MINISTÉRIO DA FAZENDA — SECRETARIA DE POLÍTICA ECONÔMICA; CANAL RURAL