Banco Central reduz Selic para 13,75% ao ano no quinto corte consecutivo

Copom diminui juros em 0,25 ponto percentual diante da desaceleração da inflação.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi aprovado por unanimidade na quarta-feira (16) e representa a quinta redução consecutiva desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária. 

Desde março, quando a Selic estava em 15% ao ano, foram cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. A taxa passou para 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho, 14% em agosto e agora chegou a 13,75%. A redução acumulada no período é de 1,25 ponto percentual. 

A decisão levou em consideração a desaceleração recente da inflação e sinais de moderação da atividade econômica. Segundo o Copom, os indicadores mostram perda gradual de ritmo, especialmente nos setores mais ligados aos ciclos econômicos, embora a atividade permaneça resiliente e o mercado de trabalho continue aquecido. 

Inflação recua, mas ainda preocupa

Apesar da melhora dos indicadores, a inflação continua acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central. O sistema brasileiro trabalha atualmente com meta de 3%, admitindo intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As expectativas coletadas pelo Banco Central no Boletim Focus apontavam inflação de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027, ambas acima da meta central. Para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a projeção utilizada pelo Copom está em 3,2% no cenário de referência. 

O Comitê avaliou ainda que os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o habitual, com maior peso para riscos de alta. Entre os fatores observados estão as expectativas inflacionárias, possíveis efeitos dos preços do petróleo, questões climáticas, inflação de serviços, comportamento do câmbio e estímulos capazes de aumentar a demanda na economia. 

O que a queda da Selic significa para o consumidor

A Selic funciona como referência para as demais taxas de juros praticadas na economia. Em linhas gerais, uma trajetória de queda tende a criar condições para juros menores em operações de crédito, financiamentos e empréstimos, embora a redução da taxa básica não seja transferida automaticamente ou na mesma proporção para os juros cobrados dos consumidores. 

Juros menores também diminuem o grau de restrição sobre o consumo e os investimentos. Na direção contrária, quando o Banco Central eleva ou mantém a Selic em patamar elevado, o objetivo é reduzir pressões sobre a demanda e contribuir para o controle dos preços. Os efeitos completos de uma mudança na Selic, entretanto, demoram a aparecer na economia. 

Para os investimentos, a redução também modifica gradualmente a remuneração dos produtos de renda fixa vinculados diretamente ou indiretamente aos juros. Mesmo após os cinco cortes, porém, o patamar de 13,75% ao ano continua representando uma política monetária restritiva, diante da necessidade apontada pelo BC de fazer a inflação convergir para a meta.

Banco Central não garante novo corte

O comunicado divulgado após a reunião não antecipou qual será a próxima decisão. O Copom afirmou que a extensão do atual ciclo dependerá das novas informações sobre inflação e atividade econômica, mantendo uma postura de cautela diante das incertezas. 

Outro ponto acompanhado pelo Banco Central é a situação fiscal do país. O Comitê afirmou que segue observando os impactos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros. No exterior, entram na avaliação as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, à política monetária de economias avançadas e à volatilidade das commodities e dos mercados financeiros.

A próxima reunião do Copom está programada para 3 e 4 de novembro, depois do segundo turno das Eleições 2026, marcado para 25 de outubro. Outra reunião está prevista para 8 e 9 de dezembro. 

Com a decisão de setembro, o Banco Central mantém o processo gradual de redução dos juros iniciado em março, mas deixa claro que novos cortes dependerão principalmente do comportamento da inflação, das expectativas e da atividade econômica. 

Fontes: Banco Central do Brasil


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