Cesta básica cai 0,49% em Campo Grande, mas ainda custa R$ 805

Tomate ficou 27,09% mais barato e teve a maior queda entre as capitais brasileiras

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O custo da cesta básica apresentou pequena redução em Campo Grande em agosto de 2026, mas continuou pesando no orçamento das famílias. O conjunto dos alimentos essenciais ficou em R$ 805,13, queda de 0,49% em relação a julho. Mesmo com o recuo mensal, a capital de Mato Grosso do Sul teve a sexta cesta mais cara entre as 27 capitais pesquisadas. Os números fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O principal alívio para o consumidor campo-grandense veio do tomate, cujo preço recuou 27,09% em agosto. Foi a maior queda registrada para o produto entre todas as capitais do país. A batata também apresentou redução expressiva, de 20,10%, seguida pelo feijão-carioca (-5,09%), café em pó (-1,63%) e pão francês (-0,44%). No cenário nacional, o tomate ficou mais barato em 22 capitais, enquanto o café em pó apresentou redução em 23. 

A redução desses produtos, entretanto, foi parcialmente compensada pela alta de outros alimentos. Em Campo Grande, a banana subiu 9,03%, o leite integral 7,42% e a carne bovina de primeira 4,81%. Também registraram aumento o arroz agulhinha (3,46%), o óleo de soja (1,43%), a farinha de trigo (1,40%), a manteiga (1,08%) e o açúcar cristal (1,06%). Campo Grande se destacou nacionalmente pela elevação dos preços da banana e da carne bovina de primeira. 

Apesar da queda observada de julho para agosto, o cenário de prazo mais longo mostra que os alimentos básicos continuam mais caros para os moradores da capital sul-mato-grossense. A cesta acumula alta de 3,77% entre dezembro de 2025 e agosto de 2026 e aumento de 4,73% na comparação com agosto do ano passado. Em todo o país, as 27 capitais acumularam aumento da cesta no ano, com variações entre 2,82%, em Brasília, e 12,29%, em Porto Velho. 

O levantamento também ajuda a dimensionar o impacto da alimentação sobre a renda. Em Campo Grande, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 109 horas e 16 minutos para adquirir os produtos da cesta básica em agosto. Considerando o salário líquido após o desconto previdenciário adotado na metodologia do Dieese, os alimentos comprometeram 53,70% da renda desse trabalhador. 

No cenário nacional, a redução dos preços foi disseminada. A cesta básica ficou mais barata em 25 das 27 capitais brasileiras entre julho e agosto. As maiores quedas foram verificadas em Rio Branco (-4,68%), Manaus (-4,55%), Boa Vista (-4,47%) e Aracaju (-3,89%). Somente Maceió, com alta de 1,43%, e São Luís, com 0,78%, registraram aumento no período.

São Paulo continuou com a cesta mais cara do Brasil, chegando a R$ 900,59, seguida por Cuiabá (R$ 851,57), Rio de Janeiro (R$ 851,19), Florianópolis (R$ 850,90) e Porto Alegre. Campo Grande apareceu na sequência. Nas capitais das regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta pesquisada é diferente, os menores valores foram encontrados em Aracaju, Natal, Maceió e Salvador. 

Com base no custo da cesta mais cara do país e nas despesas previstas constitucionalmente para uma família, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 7.565,86 em agosto, equivalente a 4,67 vezes o piso nacional de R$ 1.621. O cálculo considera as necessidades de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

A pesquisa passou a abranger todas as 27 capitais brasileiras a partir de uma parceria entre Dieese e Conab. A coleta, anteriormente realizada em 17 capitais, foi ampliada e os resultados nacionais passaram a ser divulgados em agosto de 2025, permitindo acompanhar as diferenças regionais no custo da alimentação básica. 

Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Dieese e da Conab


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