Mato Grosso do Sul encerrou o segundo trimestre de 2026 com apenas 40 mil pessoas desocupadas em uma força de trabalho de 1,484 milhão — o que coloca a taxa de desemprego do estado em 2,7%, queda expressiva frente ao 3,8% registrado entre janeiro e março. Os dados são da PNAD Contínua Trimestral, pesquisa do IBGE sistematizada pelo Observatório do Trabalho de MS, com apoio da Semadesc e da Funtrab.
O resultado consolida um mercado de trabalho aquecido no estado, com 1,444 milhão de sul-mato-grossenses efetivamente empregados entre abril e junho — o maior volume registrado neste ano. O nível de ocupação, indicador que mede a proporção de pessoas trabalhando em relação à população em idade ativa, chegou a 63,6%.
Do total de trabalhadores ocupados, 1,022 milhão tinham vínculo formal — carteira assinada, funcionalismo público ou emprego com registro —, o equivalente a 70,8% da mão de obra ativa. Outros 422 mil atuavam na informalidade, mantendo a taxa nesse segmento em 29,2%. Apesar de ainda elevada, a proporção segue uma tendência de redução gradual observada nos últimos anos no estado.
O perfil dos trabalhadores formais revela que o setor privado concentra a maioria: 733 mil pessoas empregadas em empresas, sem contar trabalhadores domésticos. O funcionalismo público absorve outras 233 mil. Já entre os domésticos, o número chegou a 82 mil, e os trabalhadores por conta própria somam 306 mil — grupo que inclui desde profissionais liberais até autônomos e MEIs.
Além de empregar mais, o mercado de trabalho sul-mato-grossense também está pagando melhor. O rendimento médio mensal real das pessoas ocupadas com renda proveniente do trabalho principal chegou a R$ 3.731 no segundo trimestre — um avanço de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando a média era de R$ 3.602.
O crescimento real da renda — já descontada a inflação — é um sinal positivo para o consumo interno e para setores como comércio e serviços, que dependem diretamente do poder de compra da população. Campo Grande, polo econômico do estado, tende a sentir com mais intensidade esse aquecimento, especialmente no varejo e no setor de serviços.
Com 2,7% de desemprego, Mato Grosso do Sul se mantém entre os estados com menor taxa de desocupação do Brasil, em um cenário nacional que ainda convive com médias bem acima desse patamar. A combinação de agronegócio forte, indústria em expansão — especialmente com a celulose em Três Lagoas — e setor de serviços robusto explica em parte o desempenho consistente do mercado local.
O próximo ciclo de dados da PNAD Contínua, referente ao terceiro trimestre de 2026, deve revelar se o estado mantém ou aprofunda esse patamar. Safra em andamento, obras de infraestrutura e novos investimentos industriais previstos para o segundo semestre são fatores que tendem a sustentar a demanda por mão de obra nos próximos meses.
Fontes: IBGE, SEMADESC, FUNTRAB