Os preços do algodão fecharam em queda superior a 1% na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (13), afetando diretamente as perspectivas de receita dos produtores de Mato Grosso do Sul, que vivem o período final da colheita da pluma favorecido pelo tempo seco das últimas semanas. O movimento de baixa atingiu todos os principais contratos futuros negociados na praça americana, refletindo um cenário de enfraquecimento do dólar e redução das tensões geopolíticas no Golfo Pérsico.
O recuo nas cotações ocorre num momento delicado para o produtor sul-mato-grossense: com a colheita avançando em ritmo acelerado graças ao clima favorável, a queda nos preços internacionais pode comprimir as margens de quem ainda não fixou parte da produção. Para o Brasil, segundo maior exportador mundial de algodão, oscilações como a desta quinta impõem desafios imediatos de precificação.
O contrato com vencimento em dezembro de 2026 foi o mais negociado e encerrou o dia cotado a 83,50 cents por libra-peso, uma baixa de 0,88 cent, ou 1,04%. O vencimento de outubro de 2026 terminou a 82,36 cents/lb, recuo de 0,85 cent (-1,02%). Contratos mais longos seguiram o mesmo caminho: o de março de 2027 cedeu 0,90 cent para fechar a 85,42 cents/lb, enquanto o de maio de 2027 perdeu 0,88 cent, encerrando a 86,64 cents/lb.
A uniformidade das perdas ao longo de toda a curva de preços indica que o mercado não enxerga gatilho de recuperação no curto prazo — o que tende a desestimular novas fixações por parte dos produtores que ainda aguardam janelas mais favoráveis para comercializar o que foi colhido.
Dois fatores macroeconômicos pesaram sobre as cotações da pluma nesta sessão. O primeiro foi a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos abaixo das expectativas, o que reduziu as apostas do mercado numa alta de juros pelo Federal Reserve em setembro. Com isso, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos recuou, e o dólar perdeu força frente a outras moedas — movimento que, em geral, pressiona para baixo as commodities cotadas na moeda americana.
O segundo fator foi o arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico. Com o governo americano sinalizando preferência pelo bloqueio naval como instrumento de pressão econômica — em vez de novos ataques militares —, a demanda por ativos de refúgio diminuiu, puxando o petróleo e outras commodities para baixo. O algodão, historicamente sensível ao custo de energia por seu processo de beneficiamento e transporte, acompanhou o movimento.
Em Mato Grosso do Sul, as condições climáticas têm sido favoráveis ao andamento da colheita do algodão nas últimas semanas. O tempo seco facilitou as operações de campo, permitindo ritmo acelerado de retirada da pluma — o que é positivo para a qualidade da fibra, mas aumenta o volume de produto disponível num momento de preços em baixa.
O estado não é o maior produtor nacional, mas a cultura vem ganhando espaço no calendário agrícola sul-mato-grossense, especialmente em sistema de segunda safra junto à soja. Para os produtores que ainda não realizaram a comercialização de toda a colheita, o cenário exige atenção ao comportamento do câmbio e aos próximos relatórios de demanda global, especialmente da China, principal compradora do algodão brasileiro.
A expectativa do setor é que as cotações encontrem suporte caso os dados de estoques globais confirmem equilíbrio entre oferta e demanda — mas, por ora, o mercado trabalha com cautela e vendas graduais como estratégia preferencial dos produtores mais experientes.
Fontes: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS, BOLSA DE NOVA YORK (ICE FUTURES)