Azul voa Corumbá-Campinas com 83% de ocupação e rota ganha prazo até novembro

Parceria entre prefeitura, ACERT e governo estadual garantiu extensão do voo até 30 de novembro, enquanto negociações buscam tornar a rota permanente.

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Azul voa Corumbá-Campinas com 83% de ocupação e rota ganha prazo até novembro
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A rota aérea que liga Corumbá a Campinas (SP), operada pela Azul Linhas Aéreas, foi garantida até 30 de novembro de 2026 — dois meses a mais do que o prazo original, que encerraria em outubro. A prorrogação é resultado de negociações entre a Prefeitura de Corumbá, a Associação das Empresas de Corumbá (ACERT) e o Governo de Mato Grosso do Sul, e chega respaldada por números que mostram por que a rota vale a pena: entre março e junho deste ano, os voos saíram com média de ocupação que, em abril, chegou a 83%.

No total, foram 61 voos operados no período, com 12.582 passageiros movimentados — entre embarques e desembarques — nas aeronaves Embraer E195-E2, cada uma com capacidade para 136 passageiros. Os dados foram levantados pelo Observatório de Turismo do Pantanal, da Fundação de Turismo do Pantanal, e ajudaram a construir o argumento técnico que sustentou as negociações com a companhia aérea.

Pesca esportiva puxa a demanda, mas negócios também lotam o avião

Dos 306 passageiros entrevistados pelo Observatório no Aeroporto Internacional de Corumbá, 64,71% eram visitantes — turistas e viajantes a negócio de fora da cidade. Apenas 35,29% eram moradores usando o voo para sair. Esse desequilíbrio favorável ao turismo receptivo é um dos principais argumentos para manter a rota: ela traz gente de fora e injeta renda na economia local.

Entre os visitantes, a pesca esportiva lidera os motivos da viagem, com 35,86% das respostas. Negócios e trabalho aparecem logo atrás, com 34,34%, seguidos de turismo e lazer (12,63%) e visita a familiares (11,62%). O perfil explica também o padrão de hospedagem: 38,89% dos visitantes ficam em hotéis ou pousadas urbanas, enquanto 31,31% optam pelo barco-hotel — estrutura característica do turismo de pesca no Pantanal.

São Paulo responde por 36% dos visitantes — e Viracopos amplifica esse alcance

A escolha de Campinas como destino do voo não é aleatória. O Aeroporto Internacional de Viracopos funciona como hub da Azul, conectando Corumbá a uma malha que alcança destinos em todo o Brasil. Na prática, um turista do Rio de Janeiro, de Minas Gerais ou de Santa Catarina pode chegar ao Pantanal com uma escala em Campinas — sem precisar passar por Congonhas ou Guarulhos.

A pesquisa confirma que São Paulo já é o principal estado emissor de visitantes a Corumbá, respondendo por 36% dos entrevistados. O Rio de Janeiro aparece em segundo, com 17,17%, e Minas Gerais em terceiro, com 13,64%. Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina e Paraná também figuram entre os mercados relevantes — todos com fácil conexão via Viracopos.

Turistas ficam até uma semana e deixam dinheiro na cidade — o que está em jogo após novembro

Outro dado que reforça a importância econômica da rota é o tempo de permanência: 61,62% dos visitantes ficam entre quatro e sete dias em Corumbá. Outros 23,23% permanecem de um a três dias. Uma minoria de 8,59% passa mais de 15 dias — geralmente os pescadores que alugam barco-hotel por temporadas longas. Mais dias na cidade significam mais consumo de hospedagem, alimentação, passeios e comércio local.

As negociações para tornar a rota permanente após novembro ainda estão em andamento. Para a região do Pantanal, a questão vai além do conforto dos viajantes: sem esse voo, Corumbá fica dependente de deslocamentos terrestres longos ou de conexões aéreas indiretas e mais caras para acessar os principais centros emissores do país. A articulação entre poder público e setor privado local será determinante para que o argumento econômico, já demonstrado pelos dados do Observatório, se transforme em contrato definitivo com a companhia aérea.

Fontes: PREFEITURA DE CORUMBÁ, FUNDAÇÃO DE TURISMO DO PANTANAL


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