A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) lançou uma força-tarefa em parceria com a Defesa Civil Estadual para combater o avanço acelerado da chikungunya em Dourados, cidade do Cone Sul que figura entre os municípios com maior concentração de casos no estado. A operação, iniciada na semana passada, envolve vigilância epidemiológica intensiva, visitas domiciliares, mapeamento de áreas de risco e mobilização comunitária, além de um plano de vacinação que prevê a aplicação de 43.530 doses.
Dourados vive um momento crítico no enfrentamento da doença. A rápida propagação do vírus — transmitido pelo mesmo mosquito Aedes aegypti da dengue — exigiu resposta imediata do governo estadual, que optou por uma estratégia integrada envolvendo múltiplos órgãos, lideranças comunitárias locais e suporte da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC). A articulação em diferentes frentes busca atacar simultaneamente o controle de criadouros, a assistência à população afetada e a ampliação da cobertura vacinal.
A Defesa Civil Estadual será responsável por coordenar o trabalho de campo, com equipes percorrendo bairros e comunidades de forma sistemática. O objetivo é identificar os pontos de maior risco, orientar moradores sobre medidas preventivas e registrar as áreas prioritárias para intervenção. "Vamos realizar um mutirão mais amplo e contínuo, com equipes percorrendo as comunidades, visitando residências e orientando a população. A ideia é mapear os riscos e atuar de forma organizada em todo o território prioritário", explicou Hugo Djan Leite, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil.
A operação também contará com salas de situação instaladas no município, além de planejamento conjunto entre estado, prefeitura e parceiros locais. A presença da SEDEC reforça a estrutura disponível, ampliando a capacidade de resposta da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC) e somando recursos humanos e logísticos às ações já em andamento em Mato Grosso do Sul.
Entre os principais vetores de proliferação do Aedes aegypti em Dourados está o armazenamento inadequado de água — problema recorrente em regiões com abastecimento irregular. As equipes de vigilância em saúde estão avaliando a viabilidade de distribuição de água tratada à população, além de realizar o tratamento direto de reservatórios já existentes nas residências visitadas. "O cuidado com a água é fundamental. É preciso manter caixas e reservatórios bem vedados, além de orientar a população sobre o uso correto desses recipientes para evitar criadouros", destacou Larissa Castilho, superintendente de Vigilância em Saúde.
A orientação às famílias passa também por medidas simples do cotidiano: tampar baldes, evitar acúmulo de água em calhas e objetos no quintal, e verificar regularmente vasos de plantas e outros recipientes. A participação ativa da comunidade é apontada pelos gestores como condição indispensável para que a força-tarefa produza resultados duradouros.
A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, reforçou a necessidade de atuação imediata e coordenada entre os diferentes níveis de governo. "Estamos direcionando equipes e esforços para Dourados, com foco nas áreas de maior incidência. A resposta precisa ser rápida, organizada e integrada entre Estado, município e parceiros", afirmou. A vacinação contra a chikungunya — com 43.530 doses previstas para Dourados — integra esse esforço, sendo parte central da estratégia de contenção adotada pela SES-MS, que também planeja ampliar a imunização para o município vizinho de Itaporã.
O cenário em Mato Grosso do Sul reforça a urgência das medidas. Com o calor e as chuvas típicas do período favorecendo a reprodução do mosquito, especialistas alertam que a janela para intervenção eficaz é estreita. A força-tarefa em Dourados pode servir de modelo para outras cidades do estado que enfrentam aumento de casos — e a eficácia das ações nas próximas semanas será determinante para frear o avanço da doença antes que ela se consolide em outras regiões de Mato Grosso do Sul.
Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL