O Sistema de Busca Ativa Escolar (SBAE) em Mato Grosso do Sul, em colaboração com o Ministério Público, tem reduzido significativamente as taxas de abandono escolar através do acompanhamento da frequência dos alunos e apoio às famílias. O projeto envolve comunicação imediata com as famílias e visitas domiciliares para reter alunos com faltas injustificadas, como demonstrado pela Escola Estadual Célia Maria Naglis, que zerou o abandono escolar. A Secretaria de Educação também enfatiza a importância de estratégias diferenciadas para combater o abandono e a evasão escolar, destacando resultados positivos na reintegração de alunos. O secretário estadual de Educação aponta a redução expressiva nos índices de abandono como resultado das políticas implementadas.
O Sistema de Busca Ativa Escolar (SBAE), implantado em Mato Grosso do Sul em parceria com o Ministério Público do Estado (MPMS), tem reduzido de forma significativa as taxas de abandono escolar na Rede Estadual. A iniciativa, baseada no acompanhamento contínuo da frequência dos estudantes, apoio às famílias e visitas domiciliares, mantém o índice próximo de zero em diversas unidades de ensino.
O projeto identifica rapidamente alunos com faltas injustificadas e aciona uma rede de acolhimento envolvendo escolas, Conselho Tutelar e comunidade. Um dos exemplos é a Escola Estadual Célia Maria Naglis, em Campo Grande, que zerou o abandono escolar com um controle rigoroso de presença. Assim que um estudante falta sem justificativa, a equipe escolar faz contato imediato com a família e, se não houver retorno, realiza visita domiciliar.
O diretor-adjunto da unidade, Ambrósio Lazzari, explica que o envolvimento de toda a escola é determinante. “Desde o início do ano, trabalhamos para conscientizar toda a equipe de que o estudante é o nosso maior patrimônio. E esse patrimônio só tem valor quando o aluno está presente. Por isso, todas as nossas ações são voltadas para que ele se sinta acolhido e parte da escola.” Ele reforça que o trabalho, feito com “responsabilidade e sensibilidade”, acelera o retorno dos alunos. “E quando identificamos mudanças de endereço ou outras situações, orientamos a família para que o estudante seja matriculado em uma escola próxima. É esse cuidado diário que mantém nossos índices praticamente zerados”, afirma.
A Rede Estadual conta ainda com equipes técnicas da Secretaria Estadual de Educação (SED), responsáveis por orientar gestores e profissionais sobre os protocolos de busca ativa. O acompanhamento inclui diálogo constante com as famílias e visitas domiciliares sempre que necessário. A coordenadora de Psicologia e Serviço Social Educacional, Paola Lopes, destaca a importância desse processo. “Na SED, orientamos que esse acompanhamento seja humanizado e articulado, envolvendo contato imediato com a família e, se necessário, visitas domiciliares.” Ela reforça que a atualização cadastral é essencial: “Telefones e endereços corretos fazem toda a diferença para que a escola consiga localizar o estudante a tempo. Com o apoio do SBAE-MS e dos registros de frequência, conseguimos agir com mais precisão e garantir que nenhum aluno fique para trás”.
A Secretaria também ressalta que abandono escolar e evasão são fenômenos distintos. O abandono ocorre quando o aluno interrompe a frequência durante o ano letivo; já a evasão se refere à saída definitiva do sistema educacional. A compreensão dessas diferenças orienta a adoção de estratégias adequadas.
Na Escola Estadual Lino Villachá, o diretor Olívio Mangolin afirma que o enfrentamento ao abandono envolve comunicação ativa com as famílias, monitoramento diário e visitas domiciliares. Ele utiliza todos os recursos disponíveis antes de acionar medidas formais. “A gente faz a matrícula, acolhe o estudante e trabalha para que ele tenha senso de pertencimento. Quando ele falta dois ou três dias, eu já ligo. Se o telefone não funciona, mando supervisor de moto e se, mesmo assim, não encontro, eu pego meu carro e vou pessoalmente. Só depois de esgotar todos os recursos escolares é que eu encaminho ao Conselho Tutelar e aplico, se for o caso, a transferência ex officio“, relata.
O diretor destaca ainda situações em que o trabalho da equipe garantiu o retorno de alunos, como no caso de Josiane Cardoso Calvis, 17 anos, que havia deixado de frequentar as aulas por problemas familiares. “Eu conheço a história dela, sei que ela é boa aluna. Fui atrás e retornamos com ela para a escola. Hoje, ela já está com as notas boas e a frequência em dia.”
Josiane confirma que só voltou a estudar graças à atuação da escola. “Eu tinha sido transferida para outra escola, mas parei de ir porque era longe e eu estava com problemas em casa. Quando o diretor soube, ele entrou em contato com a minha família e me chamou para conversar. Disse que eu era uma boa aluna e que não deveria abandonar os estudos. Ele reverteu minha transferência e me trouxe de volta. Se não fosse essa insistência, eu teria parado de estudar. Hoje estou recuperando minhas notas e sei que a escola é essencial para o meu futuro.”
Segundo o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, o Estado registra queda expressiva no abandono escolar, chegando a zerar o índice em algumas unidades. “A implementação do Sistema de Busca Ativa Escolar, junto às nossas políticas integradas, tem sido decisiva para reduzir o abandono escolar em Mato Grosso do Sul.”
O governador Eduardo Riedel reforça que o compromisso com a educação passa pela ampliação de investimentos e pela preparação dos jovens para o mercado de trabalho. “Investir cada vez mais na educação é fundamental para oferecer oportunidades reais aos nossos jovens. Além de zerar o abandono, queremos formar cidadãos capacitados para os desafios do mundo do trabalho, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso do Sul.”